Novidade! Revelações ocultas sobre a Bíblia e o Cristianismo.

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22 de abril de 2011

85- PORQUE NÃO ACREDITO em Deus


PORQUE NÃO ACREDITO em Deus
Argumentos da inexistência de Deus

Nasci ateu. Fui batizado e doutrinado desde a infância e o conceito de um Deus me foi imposto. Assistia aos cultos dominicais, dava generosas contribuições à igreja da minha comunidade. A crença desmoronou, na leitura e interpretação da bíblia, me tornei agnóstico. Ao mesmo tempo, participei por muitos anos  da maior escola filosófica do mundo.  
Numa leitura mais crítica  da bíblia percebi afirmações falsas, invenções (mitos, lendas) das quais comecei a desconfiar. Assim como do comportamento escandaloso dos clérigos e das religiões mercadores da fé. Quando aposentado, tive mais tempo para pesquisar, isso já aos 50 anos. Nos dez anos seguintes, quis saber sobre, o sentido da vida, os grandes vultos da história,  religiões do mundo e comparada, a origem do universo, da onde viemos, para onde vamos, por que a presença do mal e do sofrimento no mundo de Deus?... Fui em busca da VERDADE.

Exposto à teoria da evolução, da ciência, filosofia, humanismo secular, minha fé desmoronou completamente. Escolhi o caminho da razão, algo mais perto da realidade e me tornei descrente,  rejeitei o Cristianismo e a Bíblia com suas discrepâncias, erros, contradições e pontos de vista diferente, com uma dura desilusão. Eu tinha chegado a um ponto em que não podia mais acreditar num Senhor bom e bem intencionado encarregado desse e do outro mundo, e me reconverti para o ateísmo.
Passei anos e anos em busca da verdade analisando cuidadosamente essa questão da fé (milagres, inferno, vida eterna, dogmas, doutrinas...). Mas acabava chegando sempre a mesma conclusão: DEUS NÃO EXISTE.

Grande parte dos leitores já deve ter ouvido a explicação simbólica da criação do homem, que teria sido feito com barro, água e sal. No livro do Genêsis, comum às religiões judaica, cristã e muçulmana, é dito: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seu nariz o fôlego da vida, e o homem se tornou ser vivo".
Esse mesmo MITO é encontrado nas culturas gregas, asiáticas, ioruba e de vários índios americanos. Mitos compartilhados pelas mais diversas culturas. É fato que qualquer agrupamento que se mantém coeso por muito tempo cria sua mitologia (divindades e heróis). E deuses mitológicos, só existem por uma razão: uma vez, em algum lugar, um homem os imaginou. No conceito da psicologia junguiana, os mitos são expressões dos arquétipos, assim como o são o conto de fadas e o folclore.
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.... Ou foi a mente humana que criou a figura de Deus? 
A verdade é que “No Princípio, o homem criou em seu orgulho,  Deus à sua imagem e semelhança”. Um Deus comediante atuando diante de uma platéia assustada demais para rir.
PROVAS DA NÃO EXISTÊNCIA de um Deus Bíblico, aqui uma delas, em:GÊN, 3:9

"E chamou o Senhor deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás?"

Para criar um ser divino, basta a imaginação. Os mitos são conforme os costumes, a cultura e superstições regionais, são forjados com o que tem à mão. Então, basta incrementar com histórias fabulosas, extraordinárias, tragédias e lições de moral, crime, castigos e será confeccionado a novela sagrada. vejamos exemplos:
1-Os nórdicos achavam que o mundo começara num embate no gelo, do calor contra o frio;
2-Para os gregos os deuses viviam numa montanha, assim como para os  indianos;
3-Na África o povo acha que o mundo veio do grande ovo cósmico, como também alguns chineses;
4-O homem pré-colombiano achava que viemos do milho. Outros de argila, da madeira, do barro ou do sopro divino;
Além disso, há  cópia de mitos passados -  utilizados para ornamentar os relatos – em muitas religiões.

Utilizando métodos da lógica e racionalidade humanas, pode-se dizer que ao tentar provar a existência de Deus e esta tentativa resultar em uma, comprovada, impossibilidade da prova, neste caso onde existem apenas duas possibilidades (existência ou inexistência), tal impossibilidade de prova determina a prova da possibilidade contrária, ou seja, a impossibilidade de provar a existência de Deus conclui determinadamente a '''prova''' de sua inexistência.
Ex 1: Tentativa de prova da existência de Deus:
Se Deus existe, pode-se supor duas possibilidades em relação ao fato de existir:
1ª. Deus foi criado:
Se Deus foi criado, quem teria o criado? O fato de ter sido criado requisita uma ação criadora, ação esta que requisita uma entidade criadora, sendo assim existiria uma entidade criadora que teria criado Deus, o que é impossível, já que as propriedades de Deus o caracterizam como atemporal, onipresente, onisciente e onipotente, ou seja,  não poderia haver outra entidade mais poderosa que Deus,impossibilitando a sua criação por uma entidade superior, logo prova-se que Deus não teria sido criado.
2ª. Deus não foi criado:
Mesmo utilizando o pressuposto de que algo pode existir sem ser criado, pode-se supor que, se Deus sempre existiu, então para ser considerado como uma entidade concreta, ele deveria ter:
I- Alguma forma: mutável ou não.
II- Alguma matéria: sólida, líquida, gasosa, ou qualquer outra desconhecida.
III- Ocupar algum lugar no "espaço" ou qualquer outro "lugar" desconhecido não abstrato.
Se Deus possui alguma matéria e ocupa algum lugar em algum "espaço" não abstrato, então significa que a "matéria" que o compõe e o "lugar" que ocupa, também sempre existiram, ou seja a "matéria" e o "lugar" também são Deus. Supondo que Deus seja onipresente, significa que o "lugar" que ele ocupa é o conjunto do todo, logo conclui-se que Deus, que também é o "lugar" que ocupa, é TUDO.
Porém o "TUDO" é a abstração do conjunto concreto do todo, logo Deus não poderia ser o "TUDO", pois não seria concreto, sendo assim Deus não poderia ser onipresente.
Se Deus não poderia ser onipresente, então não poderia ser onipotente, pois não PODERIA estar em qualquer lugar. Se Deus não poderia ser onipotente, então não poderia ser onisciente, pois não PODERIA saber de tudo; logo, é impossível a existência de uma entidade concreta que tenha as características divinas, sendo assim Deus não poderia ser concreto e não sendo concreto ele não poderia sempre existir.
Conclui-se que se Deus não pode ter sido criado e que não poderia existir desde sempre como um ser concreto, então comprova-se que a tentativa de provar que Deus existe é impossível, logo prova-se o contrário.....

Hoje sabemos coisas sobre a natureza que os fundadores da religião não tinham sequer começado a supor  e que teriam calado suas línguas demasiadamente confiantes caso soubessem. Mais uma vez, assim que são eliminadas as suposições supérfluas (criacionismo, ou "projeto inteligente"), a especulação sobre quem nos projetou para sermos projetistas se torna tão estéril e irrelevante quanto a questão de quem projetou esse projetista. Ou seja não existe um mentor!
Tambem serve de resposta :

·         3.7 Outros argumentos
·         PROBLEMA DO MAL:
·         Existe muito sofrimento no mundo. Se Deus não evitou cruzadas, inquisições, genocídios, não age para evitar guerras (inclusive religiosas), escravidão, mortes de inocentes, abuso infantil (pedofilia), epidemias ou tragédias naturais..., não pode ser bondoso, onisciente, onipresente e onipotente (que tudo pode), como dizem os religiosos. Certamente porque Ele simplesmente não exista.

O Cristianismo claramente se apropriou e copiou idéias oriundas de épocas mais remotas e de outras religiões. Veja se alguém já ouviu isto:

O humano MANU salvou o deus avatar em forma de peixe VISHNU. Depois apareceu a Manu e pediu que ele construísse uma grande arca e guardasse um monte de sementes dentro dela para escapar de um dilúvio.  (uns 1000 aC)
O deus OSÍRIS engravida a virgem Ísis, esta dando à luz Hórus. HÓRUS nascido da virgem Isis, lutou 40 dias no deserto. HÓRUS foi batizado por ANUP e tinha 12 discípulos.
MITRA nasceu em 25 de dezembro,de uma virgem,  também teve 12 discípulos, morreu crucificado, ressuscitou ao 3º dia. Era chamado a “Verdade e a Luz”. Veio para lavar os pecados da humanidade. (1200 a C);
KRISHNA nasceu em 25 de dezembro, de uma virgem, uma estrela avisou sua chegada, fez milagres, morreu e ressuscitou. (900 a C);
DIONÍSIO nasceu de uma virgem, foi peregrino, transformou água em vinho, “alfa e ômega” era chamado, ressuscitou. 500 aC;

ANTES da Teoria da Evolução, era compreensível atribuir a Deus a  a existência de um design inteligente na natureza. HOJE, podemos provar como surgiram formas de vida tão variadas e complexas. A teoria  de Darwin é uma explicação muito melhor para isso de Deus. Não precisamos mais nos render à tentação de acreditar em um ser superior que criou tudo. Agora essa ideia parece incoerente. Não há razão para crer em fantasias do tipo que , um super-homem veio para a Terra  há cerca de 530 milhões de anos e ajustou o DNA da fauna cambriana, provocando a famosa explosão de vida daquele período. A explicação é mais fácil quando se conhece as respostas da ciência. Depois que Você questiona e se informa, a hipótese de Deus torna-se incrivelmente improvável. 

Com os conhecimentos científicos que temos neste começo do século 21, ninguém é capaz de contrariar seriamente a ideia de que processos naturais, agindo ao longo de bilhões de anos, deram origem ao Universo, ao sistema solar, à Terra e à vida que existe nela. Não há provas de que Deus tenha interferido diretamente em nenhuma destas etapas. O Universo funciona com base em leis que nada têm a ver com Deus.Nós simplesmente fomos sortudos o suficiente para vir à existência num pedaço do Multiuniverso, um entre infinitos,  que permitiu o surgimento de seres vivos, num Universo “viável”. Só por isso que existimos e somos o que somos.
E digamos que sim um ser projetista, tenha dado "inicio" ao big-bang, e depois disso o que ele fez? Mas, sentou a bun.. na cadeira cósmica e assiste? Completamente “deus otiusus”. Mas claro, Você acredita na criação, no projetista inteligente, etc etc etc, em todos as suas experiências pessoais e todas as profecias dos seus falso profetas.
Mesmo que aceitássemos que o nosso universo simplesmente tinha de ser projetado por um “projetista”, isso não indicaria que esse projetista é o Deus bíblico, nem que Ele aprova o cristianismo.

Acreditar num ser superior, que mantém pessoas em absoluta servidão,  é mais do que uma simples perda de tempo: pode ser uma tremenda irresponsabilidade. Em nome deste ou aquele Deus, muita coisa errada acontece no mundo todos os dias - da proibição do uso de preservativos, à violação dos direitos humanos. Por falta de informação científica, as pessoas encontram na fé o caminho mais curto (ou mais fácil) para driblar o sofrimento pessoal.Quando sofrem as pessoas acabam se apegando a fantasias.  Diferentemente de outros tempos, quando foi fundamental para que os homens atingissem coesão social e pudessem dar sentido à própria existência, a crença em Deus perdeu suas funções positivas. HOJE, ela representa apenas uma barreira para a evolução e  o desenvolvimento humano.
A humanidade acredita em Deus há milhares de anos. Só que, agora, já sabemos por quê. Até aqui, foi natural o homem acreditar em algo divino, uma espécie da infância da evolução. Mas nós nos tornamos maiores do que Deus.

Hoje sou Ateu militante, Humanista Secular, Livre Pensador e apenas alguém que não acredita em milagres, mitos, sobrenatural, deus(es). Coloquei as minhas pesquisas e observações em 100 artigos no Blog, para ajudar outros descrentes, defenderem pontos de vista,  a saírem do armário, e deixar o meu legado para a posteridade.
A minha intenção é desconvertê-lo, e se não conseguir, ao menos que entendesse melhor o meu ponto de vista e  a minha opinião, que faz parte de ser honesto.  Hoje sei mais sobre o mundo e sobre mim mesmo.
Hoje sou mais feliz e menos torturado pela culpa. Já não acredito num agente sobrenatural que responde as nossas preces ou supervisiona e guia a evolução das coisas. Já não acredito num manipulador divino, que exige submissão, gratidão e medo. Acredito na vida antes da morte. Mais iluminado estou satisfeito de ser com o que sou e levo uma vida livre e virtuosa. Antes levava uma vida "vigiada" por um Zeus digo Deus, Onisciente, Onipotente, Onipresente e sobretudo auto-suficiente e responsavel pelo o BEM e pelo MAL do planeta Terra.

Um fraternal abraco com todo o respeito
Oiced Mocam
·  Livre Pensador, Humanista Seculare Ateu com muito orgulho

Leia mais digitando por assunto  de interesse em pesquisa.

17 de fevereiro de 2011

Cap. -Ciência x Religião

Ciência x Religião

Mito:
Ateus adoram a ciência. A tecnologia é a sua igreja, a evolução é o seu credo, Darwin é o seu profeta, e os cientistas são os seus sacerdotes.

Resposta de Christopher Hitchens:

“Nós não nos baseamos unicamente na ciência e na razão, porque esses são fatores mais necessários que suficientes, mas desconfiamos de tudo o que contradiga a ciência ou afronte a razão. Podemos diferir em muitas coisas, mas respeitamos a livre investigação, a mente aberta e a busca do valor das idéias.”

Mais respostas :

Teístas religiosos que acreditam que algo todos adoram e tem algum tipo de religião que, por vezes, concluir que a religião dos ateus devem ser ciência. Ciência não é apenas humanismo secular e ateu, mas também foi responsável por derrubar muitos dos mitos, doutrinas e crenças que têm sido fundamentais para as religiões. Ciência tem conflitos com as religiões não porque é uma religião em si, mas porque as religiões conflitam geralmente com a realidade.
A característica mais comum e fundamental da religião é a crença em seres sobrenaturais - geralmente, mas nem sempre, inclusive os deuses. Poucas são as religiões que não têm essa característica mas a maioria das religiões são fundadas sobre elas. A ciência envolve a crença em seres sobrenaturais como deuses? Não - muitos cientistas são teístas e ou religiosos de diversas maneiras, enquanto muitos outros não são. A própria ciência como disciplina e profissão é ateista e secular, não promove nenhuma crença religiosa ou teísta. A diferença entre o Ateísmo e o Teísmo, tem grande significado. Do ceticismo, razão, lógica, e ciência de um lado e fantasia, intuição, e tradição na outro.
Ciência é provavelmente a instituição mais importante e influente no mundo moderno. Utilizando o método científico, que deu à humanidade, com mais conhecimento, mais benefícios e mais vantagens do que qualquer outra coisa no passado - incluindo a religião. Dado o grau em que as estruturas da ciência com a vida, o nosso futuro, e outras instituições sociais, não é surpreendente que alguns teístas religiosos viriam a ver paralelos entre as duas - mesmo para o ponto onde eles pensam que a ciência serve a totalidade ou parte as mesmas funções que a religião faz por eles e usado para fazer por toda a sociedade.
Nenhuma das opções acima torna a ciência uma religião, no entanto. As definições da religião são geralmente divididos em duas categorias: materiais e funcionais. As definições de fundo procuram identificar uma "essência" básica que existe em todas as religiões, as escolhas mais comuns incluem a crença em deuses ou crença em algo "sagrado". Embora essas definições sempre confiam em algo que não se aplica a algumas religiões, nenhuma delas descrever qualquer "essência" da religião que se aplica à ciência.
Definições funcionais da religião buscam identificar as funções sociais, políticos ou psicológicos que as religiões servem para os seres humanos. Escolhas comuns para isso incluem fornecimento de estrutura social, o ensino moral, criar comunidades. Nenhum desses realmente descrevem a ciência, quer, no entanto eles podem vir um pouco perto Muitas das instituições sociais que criam a estrutura social ou criam comunidades estão fortemente se influenciado pela ciência. Isso não é porque a ciência é intrinsecamente religioso, no entanto, mas porque a ciência no mundo moderno não pode ser ignorado.

A idéia de que a evolução é um "credo" para os ateus e Charles Darwin um "profeta" é baseado na crença popular entre os conservadores cristãos evangélicos que a evolução é anti-cristã e anti-Deus. Nada disso é verdade, no entanto. Os ateus não colocam nenhuma importância maior na evolução do que em outros aspectos da ciência, é improvável que os ateus creditariam qualquer atenção especial para a evolução, se não fosse para os cristãos de passar tanto tempo e esforço tentando prejudicá-lo, a fim de promover a sua agendas teológico, político e social. Os sucessos científicos e técnicos, que melhoram a civilização e a qualidade de vida, se somam ao progresso científico e batem de frente com os dogmas religiosos em sua totalidade.
As teorias da Física (principalmente a Teoria quântica) e da Biologia (com a Teoria da Evolução de Darwin), as descobertas da Psicologia (pela qual o sentimento religioso é um fenômeno interno ou mesmo neurológico), superam as explicações místicas e espirituais.
É justo dizer que os ateus dão muita confiança na ciência, mas isso não é "fé" no sentido religioso e como religiosos teístas, deístas, panteístas, normalmente usam o conceito. Ateus colocam sua confiança na ciência porque ela tem demonstrado quão confiável ela é. A fé por séculos, foi mais forte e mais influente e mais poderosa que a ciência. O choque entre as duas tem raízes profundas na história da humanidade.
O método científico tem provado ser um meio eficaz para separar a verdade da falsidade, durante o período relativamente curto que a ciência tem existido, ela tem conseguido muito mais do que qualquer coisa tem - inclusive as religiões.
A ciência moderna é em grande parte uma conseqüência do Iluminismo, um período em que as instituições religiosas e as autoridades eclesiásticas começaram a realmente perder seu poder sobre a maioria dos aspectos da vida das pessoas. O Iluminismo foi totalmente secular em que não derivam seu ímpeto ou princípios de tradição religiosa ou de autoridade. Os valores mais fundamentais da ciência ateus são, portanto, também os valores da modernidade: o empirismo ceticismo e secularismo. Não é uma coincidência que a ciência e a modernidade desenvolvidos lado a lado: a ciência sem Deus(es) reforçou a modernidade secular, enquanto, desde que o ambiente em que a ciência ateísta poderia prosperar.
O que isto significa é que não é possível defender um sem defender o outro também. Modernidade secular não será capaz de avançar muito longe sem o apoio reforçando que a ciência sem Deus é capaz de fornecer, a ciência sem Deus não será capaz de continuar a ajudar-nos a compreender o mundo que nos rodeia, sem a atmosfera criada pela modernidade secular. Não só eles precisam um do outro, mas precisamos que eles também: modernidade secular fornece a liberdade e espaço para as pessoas a seguirem suas consciências e explorar as suas crenças e descrenças religiosas. A ciência sem Deus tem valor inestimável para a nossa sobrevivência como espécie.

A ciência é muitas vezes criticada por ser ateísta, mas a impiedade é em grande parte porque a ciência é bem sucedida: ser ateu significa que a ciência não é devedora de qualquer ideologia religiosa ou perspectiva. Se fosse teísta, então não seria verdadeiramente livre para seguir a evidência onde ela leva. Ciência também é muitas vezes criticado por falta de valores, mas a ciência tem muitos valores - é só que eles são valores que são fundamentais para a nossa modernidade secular humanista e ateísta. É isso que incomoda a maioria dos críticos, porque esses valores estão provando sua superioridade sobre os valores religiosos que teólogos anti-modernos preferem promover.
Estas são todas razões para pensar muito de ciência e tentar protegê-la contra possíveis ameaças. Nenhum deles, porém, com razões para pensar que as pessoas em qualquer ciência necessitam "adoração" forma ou de tratá-lo como uma religião. É até argumentável que a ciência é menos um sistema de crenças do que uma metodologia: um método e meios para a compreensão de que é a realidade em vez de um conjunto de doutrinas e dogmas que somos moralmente obrigados a acreditar em ameaças de punição. O discurso científico se opõe à superstição e ao obscurantismo.
É comumente alegado pela crítica e adeptos que a ciência moderna é livre de valores. Isso é falso, embora seja verdade que a ciência não possui muitos dos valores tradicionalmente atribuída à religião e não faz qualquer juízo de valor sobre o uso do conhecimento científico. Por outro lado, a capacidade da ciência para funcionar como ela faz, e com tanto sucesso, depende de um conjunto de valores muito importantes. Alguns desses valores são explicados aqui.

Trabalho e Disciplina:

A ciência é um campo difícil de ser bem sucedido. Nada é feito em ciência sem uma grande quantidade de trabalho duro, por longas horas, e muita disciplina é necessária para trabalhar essas horas de duração. Muito pouco em ciência pode ser descrito como "fascinante" - a maioria dos trabalhos científicos envolve se debruça sobre grandes quantidades de dados e pequenos detalhes que fazem os olhos da maioria das pessoas simplesmente perderem o interesse. Esse trabalho é necessário, no entanto, porque constrói as bases para novas descobertas.

Honestidade:

Toda profissão depende de seus membros serem honestos para a profissão funcionar. Na ciência, essa exigência pode ser ainda mais importante. Muitos cientistas trabalham de forma independente e os resultados são então incorporados ao trabalho de outros cientistas. Dados defeituosos podem, portanto, assumir uma vida própria, infectando o trabalho honesto de pesquisadores ao redor do mundo Felizmente, existem sistemas adequados para capturar e eliminar a trapaça, mas nem sempre detectar os problemas imediatamente.

Motivo:

Um dos valores mais importantes da ciência é o uso da razão. Os problemas não são considerados para ser resolvido por tradição, a fé, ou simplesmente a palavra de alguém de confiança. O uso da razão ajuda a garantir que as explicações e as soluções são baseadas em realidade e não da preferência pessoal, o que é politicamente correto, ou o que é ideologicamente conveniente. A razão pode, naturalmente, ser abusiva, mas não mais do que qualquer outra coisa - e, até agora, a razão tem provado ser mais confiável do que qualquer outra coisa.

Comunidade:

Embora seja comum para os cientistas a trabalhar sozinho, a ciência não é realmente uma profissão solitária. Os cientistas fazem parte de uma comunidade científica mais ampla, uma que engloba tanto os do mesmo campo e aqueles envolvidos em outros aspectos da investigação científica. Todos estão interligados, de tal forma que os resultados alcançados por qualquer um pode ajudar o trabalho dos outros. É certo que estes se encontram dispersos através do mundo, mas nem por isso estão menos unidos por laços extremamente estreitos; lêem os mesmos jornais, feitos para e por eles e que são praticamente os únicos a consultar; têm o mesmo vocabulário e os mesmos interesses científicos; a sua educação vai muni-los de modelos e de critérios metodológicos comuns que determinam os problemas a resolver e as soluções admitidas pelo grupo. A comunidade também ajuda a garantir a confiabilidade do trabalho de todos porque, para ser adequadamente a investigação científica, devem ser revistos por pares.

Questionar a autoridade e Pensamento Crítico:

Apesar de existirem figuras de autoridade em ciência, como há em toda profissão, essa autoridade não é absoluta. Os cientistas são encorajados a questionar e desafiar as reivindicações e os resultados que a autoridade oferecer números. Afinal, o maior nome seguinte na ciência vai ser alguém que possa provar que uma teoria anterior estava errada, ou pelo menos incompleta, e, portanto, que as figuras de autoridade atual podem ter sido enganados. Cada cientista tem interesse em questionar a autoridade.

Imaginação:

É comum pensar dos cientistas, focado na lógica, mas uma imaginação muito boa pode ser mais necessário para ser um bom cientista. A imaginação é importante porque permite que se pense em novas possibilidades que podem não ser evidente a partir dos dados brutos sozinho. A imaginação também nos permite desenvolver novas explicações que também não são imediatamente apoiadas pelos dados, e isso dá um impulso de olhar para as descobertas.

Progresso e Melhoria:

Uma característica importante da ciência é que ela nunca é estática. Nenhuma explicação é definitiva ou completa e sempre há novos dados que tem de ser explicados, por isso nunca há qualquer sentimento de que o trabalho dos cientistas é concluída. Isto significa que os cientistas estão procurando sempre a melhoria e progresso em todos os momentos. A ciência trabalha para o aperfeiçoamento da humanidade e da sociedade, ajudando-nos a todos avançar ao invés de simplesmente estar satisfeito com onde estamos agora.

Metodologia:

Um valor da ciência que pode faltar é a ênfase no foco na metodologia adequada sobre as conclusões. O que isto significa é que o trabalho não deve ser feito por uma questão de se chegar a conclusões particulares e favorecidas. Em vez disso, deve-se concentrar em seguir a metodologia científica adequada e raciocínio. Isso ajuda a garantir qual é a mais provável para se chegar a conclusões corretas e explicações corretas, independentemente do que eles podem ser. Imagine se em outras áreas, como política, trabalhassem dessa forma.

Mais conclusões:

A Ciência procura a verdade. E não descrimina. Para o melhor e para o pior compreende as coisas. A ciência é humilde. Sabe o que sabe e o que não sabe. Baseia as suas conclusões e crenças na evidência dura – evidência que constantemente é atualizada e melhorada. Não se sente ofendida quando os fatos aparecem. E abraça o corpo de conhecimento. Não se segura em práticas medievais porque são tradição. Se [a ciência] acreditasse nessas coisas, não conseguiria descobrir a vacina de penicilina, colocava uma sanguessuga pelas calças a dentro e começava a rezar. Independente do que se possa “acreditar”, isto não será efetivo como medicina. Uma vez mais pode-se dizer que “para mim, funciona”, mas também funcionam os placebos.

O Humanismo está em sintonia com a ciência de hoje. Os humanistas reconhecem, portanto, que vivemos em um universo natural de grande tamanho e idade, que evoluímos neste planeta no decorrer de um longo período de tempo, que não existe uma evidência premente de “alma” dissociável, e que os seres humanos têm determinadas necessidades inatas que formam efetivamente a base de qualquer sistema de valores orientado para o homem.
O Humanismo está em sintonia com novos avanços tecnológicos. Os humanistas têm boa-vontade em participar de descobertas científicas e tecnológicas emergentes, de modo a exercerem sua influência moral sobre essas revoluções à medida que surgem, especialmente no interesse de proteger o meio ambiente.

“A ciência tem provas sem certeza. Os teólogos têm certeza sem qualquer prova.”
Ashley Montagu

28 de dezembro de 2010

Por que não sou cristão

Por que não sou cristão, por Bertrand Russell.


Sobre Bertrand Russel, em seu livro WHI I AM NOT A CHRISTIAN -
Porque não sou Cristão, é considerado um dos mais blasfemos documentos filosóficos jamais escritos. Se a religião fornece respostas às perguntas que sempre atormentaram a humanidade - por que estamos aqui, qual a razão da vida, como devemos nos comportar. Russel dissipa esse conforto, deixando-nos com alternativas mais perturbadoras: responsabilidade, autonomia e consciência do que fazemos. Coloca questões que nunca mais poderão ser ignoradas.

Esta palestra foi proferida no dia 6 de março de 1927, na Prefeitura
de Battersea, sob o patrocínio da divisão da zona sul de Londres da
Sociedade Laica Nacional (National Secular Society)..

Como o Presidente desta sociedade já lhes disse, o assunto sobre o qual falarei hoje à noite é “Por que não sou cristão”. Talvez seja melhor, também, para começar, tentar definir o que quero dizer com a palavra “cristão”. É ela usada, hoje em dia, num sentido bastante vago, por um grande número de pessoas, num sentido muito impreciso. Algumas delas só a utilizam para descrever alguém que tenta viver bem. Nesse sentido, acredito que haveria cristãos em todas as seitas e credos; mas não creio que esse seja o sentido adequado da palavra, ainda que apenas por implicar que todas as pessoas que não são cristãs – todos os budistas, confucionistas, maometanos e assim por diante – não tentam viver bem. Quando digo cristão, não quero dizer qualquer pessoa que tente viver de maneira decente de acordo com sua razão.
Penso que é preciso ter uma certa quantidade de crença definida
antes que se adquira o direito de se autodenominar cristão. Essa palavra
não tem um significado tão puro hoje quanto tinha na época de
Santo Agostinho ou de Santo Tomás de Aquino. Naquele tempo, se
um homem afirmasse ser cristão, já se sabia o que ele queria dizer:
ele aceitava. Aceitava todo um conjunto de credos, definidos com
muita precisão, e acreditava em cada sílaba daquilo com toda a força
das suas convicções.

O que é um cristão?

Hoje, a coisa não é bem assim. Quando falamos em cristianismo,
precisamos ser um pouco mais vagos quanto a seu significado. Penso,
no entanto, que existem dois itens distintos e bastante essenciais para
quem se autodenomina cristão. O primeiro é de natureza dogmática
– especificamente, que é necessário acreditar em Deus e na imortalidade.
Se não acreditar nessas duas coisas, penso que ninguém poderá
chamar-se, apropriadamente, cristão. Mais do que isso, como
o próprio nome implica, é necessário ter algum tipo de crença em relação
a Cristo. Os maometanos, por exemplo, também acreditam em
Deus e na imortalidade e, no entanto, não se autodenominam cristãos.
Penso que é necessário ter, no mínimo, a crença de que Cristo foi, se
não divino, o melhor e mais sábio dos homens. Se uma pessoa não
estiver disposta a acreditar nem nisso a respeito de Cristo, penso que
não tem o direito de se autodenominar cristão., fetichistas e assim
por diante; nesse sentido, somos todos cristãos. Logo, presumo que,
quando digo porque não sou cristão, devo dizer duas coisas distintas:
primeiro, por que não acredito em Deus e na imortalidade; e, segundo,
por que não penso que Cristo foi o melhor e mais sábio dos homens,
apesar de atribuir a Ele um alto grau de bondade moral.
Como já disse, antigamente o sentido da palavra era muito mais puro.
Por exemplo, deduzia a crença no inferno. A crença no fogo eterno do
inferno era item essencial da crença cristã até pouquíssimo tempo atrás.
Neste país, como vocês sabem, isso deixou de ser item essencial ...
e o inferno deixou de ser necessário aos cristãos. Em conseqüência,
não devo insistir na obrigatoriedade da crença no inferno para ser um
ristão.

A existência de Deus

Para abordar a questão da existência de Deus, que é uma questão
ampla e séria, pedirei licença para tratar dela de maneira um tanto
resumida – se eu fosse tentar abordá-la de qualquer maneira adequada,
precisaria mantê-los aqui até o Final dos Tempos. Os senhores
sabem, é claro, que a Igreja Católica definiu como dogma o fato
de a existência de Deus poder ser provada pela razão espontânea sem ajuda da razão.
Esse é um dogma um tanto curioso, mas é um dos dogmas deles.
Precisaram introduzí-lo porque, a certa altura, os livres-pensadores
adotaram o hábito de dizer que existiam tais e tais argumentos por
meio dos quais a pura e simples razão poderia concluir que Deus
não existe, mas é claro que eles sabiam, por questão de fé, que Deus
existe. Esses argumentos e razões foram expostos muito longamente,
e a Igreja Católica sentiu a necessidade de dar um basta nisso. Assim,
estabeleceram que a existência de Deus pode ser comprovada pela
razão espontânea, e precisaram determinar o que consideravam
argumentos para comprovar tal fato. Existem, é claro, diversos deles,
mas abordarei apenas alguns.

O argumento da Causa Primeira

Talvez o mais simples e mais fácil de entender seja o argumento da
Causa Primeira. (Defende-se que tudo o que vemos neste mundo
tem uma causa e, à medida que retrocedermos cada vez mais na corrente
de causas, chegaremos e essa Causa Primeira recebe o nome de Deus.)
Tal argumento, suponho, não tem muito peso nos dias de hoje,
porque, em primeiro lugar, já não é mais o que era. Os filósofos e os
homens de ciência têm estudado muito a causa, e ela já não tem nem
de longe a vitalidade que tinha; mas, fora isso, dá para ver que o
argumento de que obrigatoriamente existe uma Causa Primeira não
pode ter nenhuma validade. Posso dizer que, quando eu era jovem e
debatia essas questões com muita seriedade em minha mente, durante
muito tempo aceitei o argumento da Causa Primeira, até o dia
em que, aos dezoito anos, li a autobiografia de John Stuart Mill e
lá encontrei a seguinte frase: “Meu pai me ensinou que a pergunta
‘Quem me fez?’ não pode ser respondida, já que imediatamente
sugere a pergunta seguinte ‘Quem fez Deus?.” Essa frase extremamente
simples me mostrou, como ainda penso, que o argumento da
Causa Primeira é uma falácia. Se tudo precisa ter uma causa, então
também Deus deve ter uma causa. Se é possível que exista qualquer
coisa sem causa, isso tanto pode ser o mundo quanto Deus,
de modo que não pode haver validação nesse argumento.
Não há razão. De modo algum, por que o mundo não possa ter
passado a existir sem uma causa; tampouco, por outro lado tampouco,
existe qualquer razão que o impeça de ter sempre existido.
Não há razão para supor que o mundo teve alguma espécie de
início. A idéia de que as coisas precisam obrigatoriamente ter um
início na verdade se deve à pobreza da nossa imaginação. Portanto,
talvez eu não precise mais perder tempo com o argumento relativo
à Causa Primeira.

O Argumento da Lei Natural

Em seguida, há o argumento muito comum da lei natural. Esse foi
um dos argumentos preferidos ao longo de todo o século XVIII,
principalmente sob a influência de sir Isaac Newton e de sua cosmogonia.
As pessoas observavam os planetas girando em torno do
sol de acordo com a lei da gravidade, e pensavam que Deus tinha
dado um comando a esses planetas para que se movessem daquela
maneira particular, sendo por isso eles assim o faziam. Essa era,
obviamente, uma explicação conveniente e simples, que as poupava do
trabalho de ter de procurar novas explicações mais elaboradas para a lei
da gravidade. Hoje, explicamos a lei da gravidade de uma maneira
um tanto complicada, introduzida por Einstein. Não me proponho a
fazer uma palestra a respeito da interpretação de Einstein para a lei
da gravidade, porque, mais uma vez, isso demoraria algum tempo;
de qualquer forma, já não dispomos mais daquele tipo de lei natural
que existia no sistema newtoniano, onde, por alguma razão que
ninguém era capaz de entender, a natureza agia de maneira uniforme.

Hoje, descobrimos que muitas coisas que acreditávamos serem
leis naturais na verdade são convenções humanas...

Existe, como todos sabemos,uma lei que diz que, ao lançarmos
dados, obteremos dois seis duplo uma vez a cada 36 vezes lances
aproximadamente, e não consideramos isso como prova de que a
queda dos dados é regulada pelo plano divino; ao contrário, se o
dois seis saísse toda vez, poderíamos pensar que o plano divino
existe. As leis da natureza são desse tipo no que diz respeito à maior
parte delas. São médias estatísticas tais como as que emergiriam das
leis do acaso; e isso faz com que essa coisa toda de lei natural seja
muito menos impressionante do que era anteriormente. Bem separado
disso, representa o estado momentâneo da ciência que pode
transformar o amanhã, toda a idéia de que as leis naturais implicam
um determinador das leis se deve à confusão entre as leis naturais e
as humanas. As leis humanas são comandos que ordenam que se aja
de uma certa maneira indicada, de modo que cada um possa escolher se
comportar ou não se comportar; mas as leis naturais são uma descrição
de como as coisas de fato se comportam e, por serem uma mera
descrição do que elas de fato fazem e, não dá para argumentar que existe
obrigatoriamente alguém que lhes disse para fazer isso, porque,
mesmo se supusermos que existe, então a seguinte questão seria suscitada:
“Por que Deus estabeleceu exatamente estas leis naturais, e não outras?”.
Se a resposta for que Ele fez isso apenas a seu bel-prazer, e sem razão
nenhuma, então descobre-se que existe alguma coisa que não está sujeita
à lei, de modo que a linha da lei natural é interrompida. Se for dito, como os
teólogos mais ortodoxos dizem, que em todas as leis estabelecidas
por Deus existe uma razão para que determinada lei fosse promulgada
em detrimento de outras – tendo como razão, é claro, criar o
melhor universo, apesar de ser impossível pensar assim ao examiná-lo –,
se houvesse uma razão para as leis que Deus estabeleceu,
então o próprio Deus estaria sujeito à lei, de modo que não existe
nenhuma vantagem em introduzir Deus como intermediário.
Na verdade, tem-se uma lei alheia e anterior aos éditos divinos, e
Deus não atende ao objetivo, porque Ele não é o legislador supremo.

Em resumo, toda essa discussão a respeito da lei natural não tem mais
nem de longe a força que tinha antigamente.. Os argumentos usados para
a existência de Deus mudam de caráter à medida que o tempo passa.
No início, eram argumentos intelectuais rígidos, que incorporavam
certas idéias errôneas bem definidas. Quando chegamos aos tempos
modernos, elas se tornam menos respeitadas intelectualmente e cada
vez mais afetadas por um tipo de moralização vaga.

O Argumento da Prova Teológica da Existência de Deus

O próximo passo neste processo nos leva ao argumento da
Prova teológica da existência de Deus.
Todos conhecem o argumento do plano divino: tudo no mundo é feito para que consigamos viver nele, e, se o mundo fosse mesmo algum dia um pouquinho diferente, não conseguiríamos habitá-lo. Esse é o argumento da prova da existência
de Deus. Às vezes ele toma uma forma bastante curiosa; por exemplo,
argumenta-se que as lebres têm cauda branca para serem alvo fácil dos
caçadores. Não sei o que as lebres achariam desse destino. Trata-se de
um argumento realmente fácil de parodiar. Todos os senhores conhecem
a observação de Voltaire de que o nariz obviamente foi desenhado
de modo que pudesse segurar os óculos. Esse tipo de paródia revelou-
se nem de perto estar tão distante da verdade quanto podia
parecer no século XVIII, porque desde a época de Darwin
compreendemos de um modo muito melhor por que as criaturas vivas
se adaptam a seu ambiente. Não que o ambiente seja feito para se
adequar a elas, mas elas é que se modificam para adequar-se a ele,
e essa é a base da adaptação. Não existe evidência de plano divino
em relação a isso.
Quando se examina esse argumento teológico da prova da existência
de Deus, parece surpreendente que as pessoas possam acreditar que este
mundo, com todas as coisas que ele contem, com todos os seus defeitos,
deve ser o melhor mundo que a onipotência e a onisciência conseguiram
produzir em milhões de anos. Eu realmente não consigo acreditar nisso.
Os senhores acham que, se tivessem a onipotência e a onisciência e milhões
de anos para aperfeiçoar seu mundo, não seriam capazes de produzir
nada melhor do que a Ku-Klux-Klan ou os fascistas? Ademais,
quando se aceitam as leis comuns da ciência, é necessário supor que
a vida humana e a vida em geral neste planeta morrerão a seu tempo:
trata-se de um estágio de decadência do sistema solar. Em um certo
estágio dessa decadência, obtem-se o tipo de condições de temperatura,
e assim por diante, que são adequadas ao protoplasma, e haverá vida,
durante breve tempo, na vida do sistema solar. Vê-se na Lua o tipo de
coisa que s terra tem: algo morto, frio e sem vida.
Disseram-me que esse tipo de visão é deprimente e, as pessoas
às vezes afirmam que, se acreditassem nisso, não seriam capazes
de continuar vivendo. Não acreditem nisso; não passa de tolice.
Ninguém realmente se preocupa com o que irá acontecer daqui a milhões
de anos. Mesmo que achem que se preocupam muito com isso,
na verdade só estão se enganando. A preocupação delas diz respeito
a algo muito mais mundano – talvez mesmo apenas com a má digestão.
Na verdade, ninguém de fato fica realmente infeliz por pensar que
algo de ruim vai acontecer com este mundo daqui a milhões de anos.
Assim, apesar de obviamente ser uma visão fúnebre supor que a
Vida morrerá – pelo menos suponho que possamos fazer essa afirmação,
apesar de às vezes eu achar que isso é quase um consolo, quando vejo
as coisas que as pessoas fazem com a própria vida –, isso não é tão
terrível a ponto de transformar a vida em um tormento. Essa questão
simplesmente faz com que a gente volte a atenção para outras coisas.

A obra completa dos pensamentos do escritor Prêmio Nobel de
Literatura, professor universitário e livre pensador acerca de religião e
sobre se “Deus existe” e as verdadeiras convicções de Bertrand
Russel podem se encontradas em seus livros também em reedições
recentes. Em Ensaios Céticos, Russel argumenta que devemos estar
preparados para reconhecer a incerteza de nossa crenças. Quando
especialistas em determinado campo não concordam, nos diz ele: é
melhor suspender o julgamento.

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23 de dezembro de 2010

JESUS - O incômodo Silêncio da História

Jesus:
O Incômodo Silêncio da História


por Lee Salisbury

http://www.dissidentvoice.org/Oct04/Salisbury1012.htm
12/10/2004

Quem é que nunca ouviu falar de Jesus de Nazaré? É claro que todo mundo ouviu falar de Jesus. A Bíblia nos diz que sua fama se espalhou por toda a Palestina e Síria. Ele é o homem-deus/salvador do mundo que realizou milagres que só um deus poderia realizar. Transformou água em vinho, alimentou milhares de pessoas com apenas alguns pedaços de pão e peixe, andou sobre as águas, acalmou tempestades, curou cegos, surdos e enfermos, recuperou mãos atrofiadas, expulsou demônios e ressuscitou os mortos. Seus ensinamentos morais são considerados pelos cristãos superiores a tudo o que já foi ensinado.

Ele foi rejeitado por seu próprio povo, os judeus, e brutalmente crucificado pelos romanos. Mas isto não deteve Jesus. A Bíblia nos diz que, ao ser crucificado, céus e terra confirmaram sua divindade, causando um eclipse do sol de 3 horas em toda a terra, um terremoto que fez com que a cortina do templo em Jerusalém se rasgasse ao meio e que túmulos se abrissem e homens santos ressuscitassem e aparecessem às pessoas em Jerusalém. Três dias depois, o Filho de Deus derrotou o Diabo, o príncipe das trevas, ressuscitou dos mortos, apareceu a seus discípulos e então subiu aos céus. Como é possível alguém não gostar desta história nem desejar acreditar nela?

O problema que pesquisadores sinceros e com mentes objetivas têm com esta história espantosa é:

Por que os registros históricos de escritores gregos, romanos e judeus não cristãos praticamente não dizem nada sobre Jesus de Nazaré?

Certamente que notícias sobre acontecimentos como esses, se fossem verdadeiras, teriam se espalhado por todo o mundo mediterrâneo. E, no entanto, os escritos que sobreviveram, de uns 35 a 40 observadores independentes durante os primeiros 100 anos que se seguiram à suposta crucificação e ressurreição de Jesus, praticamente não confirmam nada. Estes autores eram respeitados, viajados, sabiam se expressar, observavam e analisavam os fatos, eram os filósofos, poetas, moralistas e historiadores daquela época.
Entre as mais destacadas personalidades que não mencionam Jesus, temos:

Sêneca, 4 a.C. - 65 d.C.
Um dos mais famosos autores romanos sobre ética, filosofia e moral e um cientista que registrou eclipses e terremotos. As cartas que teria trocado com Paulo se revelaram uma fraude, mais tarde.

Plínio, o velho, 23 d.C. - 79 d.C.
História natural. Escreveu 37 livros sobre eventos como terremotos, eclipses e tratamentos médicos.

Quintiliano 39 d.C. - 96 d.C.
Escreveu "Instituio Oratio", 12 livros sobre moral e virtude.

Epitectus 55 d.C. - 135 d.C.
Ex-escravo que se tornou renomado moralista e filósofo e escreveu sobre a "irmandade dos homens" e a importância de se ajudarem os pobres e oprimidos.

Marcial 38 d.C. - 103 d.C.
Escreveu poemas épicos sobre as loucuras humanas e as várias personalidades do império romano.

Juvenal 55 d.C. - 127 d.C..
Um dos maiores poetas satíricos de Roma. Escreveu sobre injustiça e tragédia no governo romano.

Plutarco 46 d.C. - 119 d.C.
Escritor grego que viajou de Roma a Alexandria. Escreveu "Moralia", sobre moral e ética.

Três romanos cujos escritos contêm referências mínimas a Cristo, Cresto ou cristãos:

Plínio, o jovem, 61 d.C. - 113 d.C.
Foi proconsul da Bitínia (atual Turquia). Numa carta ao imperador Trajano, em 112 d.C., pergunta o que fazer quanto aos cristãos que "se reúnem regularmente antes da aurora, em dias determinados, para cantar louvores a Cristo como se ele fosse um deus". Uns oitenta anos depois da morte de Jesus, alguém estava adorando a um Cristo (messias, em hebraico)! Entretanto, nada se diz sobre se este Cristo era Jesus, o mestre milagreiro que foi crucificado e ressuscitou na Judéia ou se um Cristo mitológico das religiões pagãs de mistério. O próprio Jesus teria dito que haveria muitos falsos Cristos, portanto a afirmação de Plínio não contribui em muito para demonstrar que o Jesus de Nazaré existiu.

Suetônio, 69 d.C. - 122 d.C. Em "A vida dos imperadores", com a história de 11 imperadores, ele conta, em 120 d.C., sobre o imperador Cláudio (41 a 54 d.C.), que ele "expulsou de Roma os judeus que, sob a influência de Cresto, viviam causando tumultos". Quem é Cresto? Não há menção a Jesus. Seria este Cresto um agitador judeu, um dos muitos falsos messias, ou um Cristo mítico? Este trecho não prova nada sobre a historicidade de um Jesus de Nazaré.

Tácito, 56 a 120 d.C.
Famoso historiador romano. Seu "Annuals", referente ao período 14-68 d.C., Livro 15, capítulo 44, escrito por volta de 115 d.C., contém a primeira referência a Cristo como um homem executado na Judéia por Pôncio Pilatos. Tácito declara que "Cristo, o fundador, sofreu a pena de morte no reino de Tibério, por ordem do procurador Pôncio Pilatos". Os estudiosos apontam várias razões para se suspeitar de que este trecho não seja de Tácito nem de registros romanos, e sim uma inserção posterior na obra de Tácito:
1. A referência a Pilatos como procurador seria apropriada na época de Tácito, mas, na época de Pilatos, o título correto era "prefeito".

2. Se Tácito escreveu este trecho no início do segundo século, por que os Pais da Igreja, como Tertuliano, Clemente, Orígenes e até Eusébio, que tanto procuraram por provas da historicidade de Jesus, não o citam?

3. Tácito só passa a ser citado por escritores cristãos a partir do século 15.
O que é claro e indiscutível é que um período de 80 a 100 anos sem nenhum registro histórico confiável, depois de fatos de tal magnitude, é longo o bastante para levantar suspeitas. Além do mais, é insuficiente citar três relatos tão curtos e tão pouco informativos para provar que existiu um messias judeu milagreiro chamado Jesus que seria Deus em forma humana, foi crucificado e ressuscitou.
Há três autores judeus importantes do primeiro século:

Philo-Judaeus, 15 a.C. - 50 d.C.,
de Alexandria, era um teólogo-filósofo judeu que falava grego. Ele conhecia bem Jerusalém porque sua família morava lá. Escreveu muita coisa sobre história e religião judaica do ponto de vista grego e ensinou alguns conceitos que também aparecem no evangelho de João e nas epístolas de Paulo. Por exemplo: Deus e sua Palavra são um só; a Palavra é o filho primogênito de Deus; Deus criou o mundo através de sua palavra; Deus unifica todas as coisas através de sua Palavra; a Palavra é fonte de vida eterna; a Palavra habita em nós e entre nós; todo julgamento cabe à Palavra; a Palavra é imutável.
Philo também ensinou sobre Deus ser um espírito, sobre a Trindade, sobre virgens que dão à luz, judeus que pecam e irão para o inferno, pagãos que aceitam a Deus e irão para o céu e um Deus que é amor e perdoa.
Entretanto, Philo, um judeu que viveu na vizinha Alexandria e que teria sido contemporâneo a Jesus, nunca menciona alguém com este nome nem nenhum milagreiro que teria sido crucificado e depois ressuscitou em Jerusalém, sem falar em eclipses, terremotos e santos judeus saindo dos túmulos e andando pela cidade. Por que? O completo silêncio de Philo é ensurdecedor!

Flavius Josephus, 37-103 d.C.
era um fariseu que nasceu em Jerusalém, vivia em Roma e escreveu "História dos judeus" (79 d.C.) e "Antiguidades dos judeus" (93 d.C.). Apologistas cristãos (defensores da fé) consideram o testemunho de Josephus sobre Jesus a única evidência garantida da historicidade de Jesus. O testemunho citado se encontra em "Antiguidades dos judeus". Ao contrário dos apologistas, entretanto, muitos estudiosos, inclusive os autores da Encyclopedia Britannica, consideram o trecho "uma inserção posterior feita por copistas cristãos". Ele diz que:
"Naquele tempo, nasceu Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos, Era o Cristo. Sendo acusado por nossos chefes, do nosso país ante Pilatos, este o fez sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram nem mesmo após sua morte. Vivo e ressuscitado, reapareceu ao terceiro dia após sua morte, como o haviam predito os santos profetas, quando realiza outras mil coisas milagrosas. A sociedade cristã que ainda hoje subsiste, tomou dele o nome que usa".
Por que este trecho é considerado uma inserção posterior?
1. Josephus era um fariseu. Só um cristão diria que Jesus era o Cristo. Josephus teria tido que renunciar às suas crenças para dizer isto, e Josephus morreu ainda um fariseu.

2. Josephus costumava escrever capítulos e mais capítulos sobre gente insignificante e eventos obscuros. Como é possível que ele tenha despachado Jesus, uma pessoa tão importante, com apenas algumas frases?

3. Os parágrafos antes e depois deste trecho descrevem como os romanos reprimiram violentamente as sucessivas rebeliões judaicas. O parágrafo anterior começa com "por aquela época, mais uma triste calamidade desorientou os judeus". Será que "triste calamidade" se refere à vinda do "realizador de mil coisas milagrosas" ou aos romanos matando judeus? Esta suposta referência a Jesus não tem nada a ver com o parágrafo anterior. Parece mais uma inclusão posterior, fora de contexto.

4. Finalmente, e o que é ainda mais convincente, se Josephus realmente tivesse feito esta referência a Jesus, os Pais da Igreja pelos 200 anos seguintes certamente o teriam usado para se defender das acusações de que Jesus seria apenas mais um mito. Contudo, Justino, Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes nunca citam este trecho. Sabemos que Orígenes leu Josephus porque ele deixou textos criticando Josephus por este atribuir a destruição de Jerusalém à morte de Tiago. Aliás, Orígenes declara expressamente que Josephus, que falava de João Batista, nunca reconheceu Jesus como o Messias ("Contra Celsum", I, 47).

Não somente a referência de Josephus a Jesus parece fraudulenta como outras menções a fatos históricos em seus livros contradizem e omitem histórias do Novo Testamento:
1. A Bíblia diz que João Batista foi morto por volta de 30 d.C., no início da vida pública de Jesus. Josephus, contudo, diz que Herodes matou João durante sua guerra contra o rei Aertus da Arábia, em 34 - 37 d.C.

2. Josephus não menciona a celebração de Pentecostes em Jerusalém, quando, supostamente: judeus devotos de todas as nações se reuniram e receberam o Espírito Santo, sendo capazes de entender os apóstolos cada qual em sua própria língua; Pedro, um pescador judeu, se torna o líder da nova igreja; um colega fariseu de Josephus, Saulo de Tarso, se torna o apóstolo Paulo; a nova igreja passa por um crscimento explosivo na Palestina, Alexandria, Grécia e Roma, onde morava Josephus. O suposto martírio de Pedro e Paulo em Roma, por volta de 60 d.C., não é mencionado por Josephus. Os apologistas cristãos, que depositam tanta confiança na veracidade do testemunho de Josephus sobre Jesus, parecem não se importar com suas omissões posteriores.

A Encyclopedia Britannica afirma que os cristãos distorceram os fatos ao enxertar o trecho sobre Jesus. Isto é verdade?

Eusébio (265-339 d.C.), reconhecido como o "Pai da história da Igreja" e nomeado supervisor da doutrina pelo imperador Constantino, escreve em seu "Preparação do evangelho", ainda hoje publicado por editoras cristãs como a Baker House, que
"às vezes é necessário mentir para beneficiar àqueles que requerem tal tratamento". Eusébio, um dos cristãos que mais influenciou a história da Igreja, aprovou a fraude como meio de promover o cristianismo! A probabilidade de o cristianismo de Constantino ser uma fraude está diretamente relacionada à desesperada necessidade de encontrar evidências a favor da historicidade de Jesus. Sem o suposto testemunho de Josephus, não resta nehuma evidência confiável de origem não cristã.

Justus de Tiberíades é o terceiro escritor judeu do primeiro século. Seus escritos foram perdidos, mas Photius, patriarca de Constantinopla (878-886 d.C.), escreveu "Bibleotheca", onde ele comenta a obra de Justus. Photius diz que "do advento de Cristo, das coisas que lhe aconteceram ou dos milagres que ele realizou, não há absolutamente nenhuma menção (em Justus)". Justus vivia em Tiberíades, na Galiléia (João 6:23). Seus escritos são anteriores às "Antiguidades"de Josephus, de 93 d.C., portanto é provável que ele tenha vivido durante ou imediatamente após a suposta época de Jesus, mas é notável que nada tenha mencionado sobre ele.

A literatura rabínica seria logicamente o outro lugar para se pesquisar a historicidade de Jesus de Nazaré. O Novo Testamento alega que Jesus é o cumprimento da profecia judaica sobre o messias, crucificado no dia da Páscoa. Naquele dia, supostamente houve um terremoto em Jerusalém, a cortina de seu templo se rasgou de alto a baixo, houve um eclipse do sol, santos judeus ressuscitaram e andaram pela cidade. Três dias depois, Jesus ressuscitou e depois subiu aos céus diante de todos. Algum tempo depois, no dia de Pentecostes, os judeus de várias nações se reuniram e viram o Espírito Santo descer na forma de línguas de fogo; a igreja cristã se expandiu de forma explosiva entre judeus e pagãos, com sinais e milagres acontecendo por toda a parte. Em 70 d.C., Jerusalém foi cercada pelos romanos, que destruíram Israel como nação e dispersaram os judeus.
Ainda que os rabinos não aceitassem Jesus como o Messias, o impacto dos acontecimentos à volta de Jesus logicamente teria sido registrado nos comentários ao Talmud (os midrash). A história e a tradição oral dos judeus registradas nos midrash foram atualizadas e receberam sua forma final pelo rabino Jehudah ha-Qadosh por volta de 220 d.C.
Em seu livro "O Jesus que os judeus nunca conheceram", Frank Zindler diz que não há uma única fonte rabínica da época que fale da vida de um falso messias do primeiro século, dos acontecimentos envolvendo a crucificação e ressurreição de Jesus ou de qualquer pessoa que lembre o Jesus do cristianismo.

Não há locais históricos na Terra Santa que confirmem a historicidade de Jesus de Nazaré. Monges, padres e guias turísticos que levam peregrinos cristãos (aceitam-se doações) aos locais dos acontecimentos descritos na Bíblia dificilmente podem ser considerados pessoas isentas.
Ainda citando Zindler, "Não há confirmação não tendenciosa desses locais. Nazaré não é mencionada nem uma vez no Antigo Testamento. O Talmud cita 63 cidades da Galiléia, mas não Nazaré. Josephus menciona 45 cidades ou vilarejos da Galiléia, mas nem uma vez cita Nazaré. Josephus menciona Japha, que é um subúrbio da Nazaré de hoje. Lucas 4:28-30 diz que Nazaré tinha uma sinagoga e que a borda da colina sobre a qual ela tinha sido construída era alta o suficiente para que Jesus morresse se o tivessem realmente jogado lá de cima.
Contudo, a Nazeré de nossos dias ocupa o fundo de um vale e a parte de baixo de uma colina. Não há "topo de colina". Além disso, não há nenhum vestígio de sinagogas do primeiro século. Orígenes (182-254 d.C.), que viveu em Cesaréia, a umas 30 milhas da atual Nazaré, também não fala em Nazaré. A primeira referência à cidade surge em Eusébio, no século 4. O melhor que podemos imaginar é que Nazaré só surgiu depois do século 2. Esta falta de evidência histórica parece ser a explicação para o fato de não haver nenhuma menção a Nazaré em nenhum registro, de nenhuma origem não cristã. Ou seja, Nazaré não existia no primeiro século.

Não há tempo nem espaço para se falar de outras cidades significativas citadas no Novo Testamento, mas as evidências históricas e arqueológicas quanto a Cafarnaum (mencionada 16 vezes no N.T.) e Betânia, ou o Calvário, são, assim como no caso de Nazaré, igualmente fracas e até mesmo desmentem as Escrituras.

Mentes críticas e objetivas se destacam por procurar confirmação imparcial dos supostos fatos. Quando a única evidência disponível de um acontecimento ou de seus resultados é, não apenas questionável e suspeita, mas também aquilo que os divulgadores do acontecimento ou resultado querem que você acredite, convém desconfiar.
O fato é que os escritores judeus não-cristãos, gregos e romanos das décadas que se seguiram à suposta crucificação e ressurreição de Jesus nada dizem sobre ninguém chamado Jesus de Nazaré. Uma pessoa justa sempre estará disposta a analisar novas evidências, mas, 2 mil anos depois, o cristianismo continua tendo tantas evidências imparciais sobre Jesus quanto sobre o Mágico de Oz, Zeus ou qualquer um dos muitos deuses-redentores daquela época.
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Lee Salisbury, nascido em Stillwater, MN.,
foi um pastor pentecostal de 1972 a 1986. Ele fundou e dirige o "Clube do pensamento crítico" em Minesotta, escreve colunas, onde este artigo foi publicado pela primeira vez, e participa de debates públicos. A primazia de publicação e tradução autorizada do artigo é de Fernando Silva da Ateus do Brasil, que gentilmente autorizou sua publicação na MPHP.

Copyright (C) 2004 Lee Salisbury

REFERÊNCIAS:

"The Jesus the Jews Never Knew" por Frank R. Zindler

Encyclopedia Britannica

"Deconstructing Jesus" por Robert Price, Ph.D.

Obras completas de Josephus, tradução de William Whiston, Ph.D.

"The Jesus Puzzle" por Earl Doherty

"The Jesus Mysteries" por Timothy Freke e Peter Gandy

Também de autoria de Lee Salisbury:

"Any Ole God Will Do" (http://www.dissidentvoice.org/Oct04/Salisbury1005.htm)

17 de dezembro de 2010

deuses Existem?: Capítulo 74: Jesus existiu? Demolindo o Mito de Je...

deuses Existem?: Capítulo 74: Jesus existiu? Demolindo o Mito de Je...: "Jesus existiu? Demolindo o Mito de Jesus Não, nós, os irreligiosos, não somos insanos e nem estamos sozinhos. Além de vários cienti..."

Capítulo 75: JESUSes...QUAL deles?

“Jesus..es”

Inspirado em “Atheism-The case against God”, por George H. Smith.

Quando ouve falar em Jesus, uma reação natural de um não-cristão seria perguntar:
Qual deles?

A pergunta pode soar absurda, ou mesmo ofensiva, para um cristão, mas é perfeitamente cabível fora do âmbito religioso no qual os cristãos situam o nome e a pessoa de Jesus de Nazaré.
Eu, particularmente, reconheço três “Jesuses” distintos e diferentes entre si, cada um deles sujeitos a outras tantas sub-divisões:

1. O Jesus histórico, o homem que viveu na palestina, liderou um movimento de revisão dentro do judaísmo e sobre o qual praticamente não há registros confiáveis, fora os Evangelhos;

2. O Jesus teológico, que os diferentes concílios cristãos definiram por decreto nos dogmas da divindade e da trindade, passando a considerar heréticas outras leituras do texto bíblico;

3. O Jesus dos evangélicos e fundamentalistas cristãos em geral, uma entidade definida principalmente por experiências pessoais de religiosidade ou de espiritualidade, como geralmente são chamadas pelos crentes em questão.
Jesus Histórico

O Jesus histórico é uma incógnita, investigável apenas pelas técnicas que os historiadores utilizam para, a partir de fatos documentados subseqüentes, rastrear os antecedentes de um determinado fenômeno histórico sobre o qual há poucos registros.
No caso da pessoa humana e real de Jesus, não há evidências arqueológicas definitivas enquanto as citações de historiadores são suspeitas, excessivamente vagas ou não contemporâneas.
Os Evangelhos são considerados e estudados dentro das técnicas da exegese histórica, que se vale de ferramentas diversas, da lingüística à semiótica, para identificar o que é cientificamente válido no conjunto do texto.
De todos os estudos feitos, tem-se por resultado apenas teorias, como as que consideram a possibilidade de Jesus haver sido membro ou dissidente da seita dos essênios, grupo que conduziu um movimento de humanização dentro do judaísmo.

Jesus Teológico
O Jesus teológico é produto de uma complexa combinação de elementos religiosos, filosóficos e sócio-culturais.
Os cristãos primitivos já atribuíam divindade à pessoa do Cristo. Conforme o cristianismo se expandiu como religião, as lideranças cristãs sentiram a necessidade de dar uma definição e explicação única a este dogma, antes que a igreja se fragmentasse em conseqüência das diferentes interpretações.
Os dogmas básicos do cristianismo: a divindade e consubstancialidade de Cristo, foram afirmadas pelo Concílio de Nicéia, no século IV.
As diferentes opções dos bispos entre as resoluções do concílios provocaram o primeiro cisma entre os cristãos, dividindo a igreja entre a facção romana, posteriormente chamada católica apostólica e a facção grega, posteriormente chamada ortodoxa.
No século XVI a Reforma Protestante estabeleceu uma nova divisão, com a novidade de que a nova corrente desautorizou os concílios e decretou que apenas a Bíblia tem autoridade sobre questões religiosas cristãs, mesmo que interpretada individualmente, no que se chamou de sola scriptura.
Não obstante seu caráter revisionista, a maioria das denominações protestantes preservou os dogmas da divindade e consubstancialidade de Cristo, como definidas no Concílio de Nicéia.
O centralismo papal da Igreja Católica Romana impediu outras sub-divisões em seus dogmas, mas os ortodoxos se cindiram em ramos, enquanto os protestantes se fragmentaram em uma infinidade de denominações, muitas vezes conflitantes dogmaticamente entre si.
Cada uma destas sub-divisões cristãs tem sua própria idéia sobre Jesus, a maioria ainda segue Nicéia nos dogmas fundamentais, mas basta comparar as diferenças doutrinárias entre Adventistas do Sétimo Dia e Testemunhas de Jeová (religiões originadas do mesmo tronco do protestantismo) para se constatar o quanto as percepções sobre o tema são distintas.
Assim, o Jesus teológico é uma escolha entre múltiplas, podendo o estudioso não-cristão analisar a consistência filosófica de cada uma delas, mas jamais apontar alguma como verdadeira.

Jesus dos Evangélicos e Fundamentalistas
O Jesus dos evangélicos e fundamentalistas cristãos, em geral, é uma entidade supra-teológica, um conceito pessoal que combina interpretações bíblicas, via sola scriptura, com vínculos emocionais estabelecidos por experiências íntimas de cunho religioso, por eles chamadas de “espirituais”.
É mais fácil para o estudioso não-cristão compreender a religiosidade católica, detalhadamente documentada e justificada dentro de preceitos filosóficos aristotélicos, do que apreender o significado da religiosidade evangélica, particularmente a neo-pentecostal, que dispensa completamente a presença de elementos intelectuais em sua constituição.
Quando um evangélico usa jargões doutrinários, como “conhecer Jesus” ou “aceitar Jesus”, refere-se não a um personagem teológico claramente formatado, e sim a uma entidade mística, inteligível apenas no foro intimo.
O Jesus dos evangélicos esta sempre acompanhado de indistintas sensações e emoções, não raro associadas à idéia de uma revelação sobrenatural nos moldes da narrada por Paulo, no caminho de Damasco.
As dificuldades de comunicação entre não-cristãos e evangélicos são originadas principalmente do fato dos primeiros não conseguirem apreender o significado da entidade Jesus, exaustivamente propagada por eles, enquanto os evangélicos vêem nesta incapacidade um sintoma de “inferioridade espiritual”, “ausência do sinal dos eleitos”, “carência do Espírito Santo” ou coisas do tipo, centrados que são em sua crença de que o cristianismo é a única fé verdadeira e todas as demais devem se submeter a ela ou aceitar a danação eterna.
Assim, o único modo de se compreender um evangélico ou um fundamentalista, e o significado que dão à entidade Jesus, é se convertendo.
É uma questão tipicamente agnóstica a dúvida se Deus é cognoscível ou não.
O Jesus dos evangélicos, com certeza, não é.
A moral provisória de Jesus
As regras de moral estão relacionadas aos costumes de cada povo. Elas nos permitem viver em sociedade, minimizando os conflitos com nossos semelhantes e tornando nossa vida mais fácil. Não são perfeitas, não são absolutas e muito menos imutáveis. Variam com a ocasião, com o lugar, com a época. De um modo geral, aperfeiçoam-se com o tempo.

Diante disto, o que pensar da moral pregada por Jesus? Seria ela o padrão absoluto de excelência, conforme acreditam os cristãos?
Em primeiro lugar, não há como discutir o que Jesus disse. Os filósofos gregos, muito antes dele, debateram a fundo este assunto. Podemos concordar com eles ou não, mas, pelo menos, eles apresentaram suas razões, eles nos deram argumentos que podemos analisar.

Jesus, ao contrário, apenas nos impôs sua doutrina, arbitrariamente, sem maiores explicações, por meio de promessas e ameaças. Ele não era um moralista. Sua missão era anunciar a vinda próxima do Reino de Deus e seu preceito básico era o de que os homens devem se dedicar inteiramente a Deus se quiserem entrar no céu:
“Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo” (Mateus 04:17)
“‘Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?’
Jesus respondeu: ‘Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento.’ ”(Mateus 22:36-38).
Ou seja, seus mandamentos, em sua maior parte, se referem ao que é preciso fazer para se alcançar a recompensa em outra vida: obediência total e amor compulsório.
Não acreditar nele era o grande pecado:
“Se alguém não os receber bem, e não escutar a palavra de vocês, ao sair dessa casa e dessa cidade, sacudam a poeira dos pés.
Eu garanto a vocês: no dia do julgamento as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos rigor do que essa cidade.” (Mateus 10-14-15).
Quando Jesus fala em ter fé, ele fala em obedecer sem discutir.
Se aceitamos algo sem analisar, mas apenas porque é o que se exige de nós, em obediência cega, renunciamos à busca da verdade, renunciamos ao uso de nossa mente. Recorrer à razão se torna um pecado.
Embora, em poucos casos, trate das relações interpessoais, sua moral pouco se importa com a melhoria da vida terrena. Isto até que faz sentido: Jesus afirmou que partiria, mas logo voltaria para estabelecer seu reino. Voltaria, de fato, enquanto “alguns dos que o ouviam ainda estivessem vivos” (Marcos 09:01).
Sua moral era uma moral provisória, a ser seguida no pouco tempo de existência que restava ao mundo.
Isto talvez explique por que ninguém se preocupou em registrar sua biografia para que os fatos chegassem às gerações futuras. Não haveria gerações futuras. Apenas décadas depois, quando seus discípulos, desiludidos, se deram conta de que ele só voltaria em futuro incerto e não sabido, é que começaram as tentativas de se produzir uma biografia.
E, como o tempo que restava à humanidade era curto, faziam sentido mandamentos do tipo “abandonar a família, os pais, a mulher e os filhos” ou “vender tudo o que se tem e dar aos pobres” (Lucas 18:22). Ou, um absurdo para os costumes da época, “deixar o pai insepulto e seguir a Jesus”.
Mas… e o Sermão da Montanha, alguns dirão?
Mais uma vez, não passa de promessas a serem cumpridas numa outra vida.
Como é possível se ter uma vida digna se a gente dá a outra face a quem nos bate, se a gente também entrega a camisa a quem nos pediu o casaco, se a gente anda duas milhas quando alguém nos manda andar uma?
Temos, é claro, a “Regra de Ouro”, mas ela nada tem de original. Foi enunciada por Confúcio 500 anos antes de Cristo e já fazia parte da Lei, como o próprio Jesus afirma em Mateus 07:12. Ou “ama teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39), que é uma cópia de Levítico 19:18.
Além disto, era uma moral sectarista, limitada às “ovelhas perdidas de Israel”, e o resto da humanidade que se danasse (Marcos 04:10-12, 13:22 e 13:27 ou João 06:37, 44 e 65 ou 17:02 e 06).
Isto fica claro neste trecho:
“Jesus enviou os Doze com estas recomendações: ‘Não tomem o caminho dos pagãos, e não entrem nas cidades dos samaritanos. Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel’” (Mateus 10:05-06)
Ou neste, embora, mais adiante, ele pareça se arrepender da própria grosseria:
“Jesus respondeu: ‘Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel’. Mas a mulher, aproximando-se, ajoelhou-se diante de Jesus, e começou a implorar: ‘Senhor, ajuda-me’
Jesus lhe disse: ‘Não está certo tirar o pão dos filhos, e jogá-lo aos cachorrinhos’” (Mateus 15: 24-26)
Para piorar, alguns dos mandamentos de Jesus são absurdos, já que exigem que eliminemos nossos sentimentos:
“não olhar para as mulheres com desejo” (Mateus 05:27-28) ou “não sentir raiva do irmão” (Mateus 05:21-22).
Ora, podemos controlar como reagimos a nossos sentimentos, podemos controlar nossas ações, mas não podemos anular nossos sentimentos mais íntimos sem anular nossa personalidade. Entretanto, Jesus declara que até os sentimentos são pecaminosos. Para seguir a Jesus, temos que destruir aquilo que somos, sentimos e pensamos.
Inversamente, ele nos ordena “amar a Deus” e “amar ao próximo”, como se sentimentos pudessem ser ligados ou desligados voluntariamente. Sentimentos surgem a partir de valores que observamos nas pessoas. Se não os observamos, como fazer para despertar esses sentimentos sem mentir para nós mesmos? Mas Jesus não nos dá essas respostas, apenas nos ameaça com castigos eternos se não obedecermos.
Como podemos nos tornar “mansos e humildes” a não ser destruindo nossa autoestima e nossa vontade própria? Por medo do castigo?
Como é possível se contruir uma civilização se o sofrimento é uma virtude, se a prosperidade e a felicidade são condenáveis?
“Felizes de vocês se os homens os odeiam, se os expulsam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês, por causa do Filho do Homem. Alegrem-se nesse dia, pulem de alegria, pois será grande a recompensa de vocês no céu, porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. Mas, ai de vocês, os ricos, porque já têm a sua consolação! Ai de vocês, que agora têm fartura, porque vão passar fome! Ai de vocês, que agora riem, porque vão ficar aflitos e irão chorar!” (Lucas 06:22-25)
Fica claro que estes eram mandamentos para os poucos anos que ainda restavam ao mundo, e não um guia moral para uma civilização que se estenderia por muitas gerações, indefinidamente. Sua validade é questionável.

A maioria dos principais ditos de Jesus na bíblia, são de conteúdo de uma Filosofia Popular de origem Grega denominada Cinismo, criada 400 anos antes de Jesus por Antisthenes, discípulo de Sócrates. Tinha como base de fundamento que a felicidade não depende de nada externo à própria pessoa, ou seja, coisas materiais, reconhecimento alheio e mesmo a preocupação com a saúde, o sofrimento e a morte, nada disso pode trazer a felicidade. Segundo os *Cínicos, é justamente a libertação de todas essas coisas que pode trazer a felicidade que, uma vez obtida, nunca mais poderia ser perdida.
A semelhança desses ensinamentos de Jesus com a filosofia cínica é estudado por teólogos que nomearam essas semelhanças como Livro "Q", abreviação de uma palavra que significa livro Fonte.

A seguir um dos ditos de Jesus retirado do livro de Lucas que cito como exemplo comparativo de Filosofia Cínica :
"Por isso eu lhes digo: não se preocupem com a vida, quanto ao que vocês vão comer, nem com o corpo, quanto ao que vão vestir. Não será a vida mais que alimento, e o corpo mais que vestuário ? "
Os mesmos ditos aparecem em um outro Evangelho considerado apócrifo, que se trata de um evangelho de ensinamentos - O Evangelho de Tomé.

16 de dezembro de 2010

Capítulo 74: Jesus existiu? Demolindo o Mito de Jesus

Jesus existiu?
Demolindo o Mito de Jesus

Não, nós, os irreligiosos, não somos insanos e nem estamos sozinhos. Além de vários cientistas, pensadores, historiadores, filósofos e escritores como Nietzsche, Einstein, Jostein Gardner, Strauss, Emílio Bossi, Ernest Renan, José Saramago, Bertrand Russell,Sam Harris, Richard Dawkins..., vários outros também não criam no "Deus" dos Cristãos, nem em Jesus Cristo e muito menos na Bíblia e nos Evangelhos, como "livros sagrados".

Nada é original no Cristianismo. Jesus só passou a ser visto com “Filho de Deus” no Concílio de Nicéia, depois que esse título foi proposto e aprovado por votação. O imperador romano Constantino transformou Jesus em uma divindade que existia além do alcance do mundo humano, uma entidade cujo poder era incontestável, para expandir o seu próprio poder. Constantino mandou fazer uma Bíblia novinha em folha, que omitia os evangelhos que falavam do aspecto humano de Cristo como um homem mero profeta mortal e enfatizava aqueles que o tratavam como divino. Os evangelhos anteriores foram considerados heréticos, reunidos e quase todos queimados. Alguns evangelhos foram encontrados e o Vaticano, mantendo sua tradição de enganar os fiéis, tentou que estes do Mar Morto fossem divulgados. Dizem que são um falso testemunho. É compreensível.

E quanto à historicidade de Cristo, muitos foram os que se pronunciaram contrários, escreveram livros, ensaios e até sofreram perseguições em suas vidas, por terem a coragem de assumir publicamente suas posturas. Dentre alguns dos mais notórios que se manifestaram contra a historicidade de Cristo, segue, abaixo, uma relação cronológica, extraida do site:
Jesus Never Existed
(http://www.jesusneverexisted.com/scholars-portuguese.html),

na qual e segundo minhas fontes, poderia eu ainda, se quisesse, fazer inúmeras outras inserções, como, por exemplo e para citar só um nome, Bart D. Ehrman, uma lamentável ausência na lista, com 3 excelentes livros sobre o assunto
("Evangelhos Perdidos: As Batalhas pela Escritura e os Cristianismos que não Chegamos a Conhecer (2003)";
" O Que Jesus Disse e o que Jesus Não Disse:
Quem mudou a Bíblia e por quê?" (2006);
"Pedro, Paulo e Maria Madalena:
A verdade e a lenda sobre os seguidores de Jesus (2006)",
"O problema com Deus". Só não o fiz por respeitar a autoria e manter os créditos ao artigo original, aqui reproduzido, na íntegra, e apenas reformatado nos grifos.
Veja a matéria e a lista:

Demolindo o Mito de Jesus – Uma História

Por mais de duzentos anos, uma minoria de corajosos pesquisadores têm ousado questionar a historicidade de Jesus. Apesar dos riscos de ataque físico, ruína profissional e ostracismo, eles duvidaram seriamente da veracidade da saga dos evangelhos, descascaram as camadas de fraude e engano e finalmente desafiaram a própria existência do homem-deus.

Hermann Samuel Reimarus (1694-1768).1778,
Sobre a Intenção de Jesus e Seu Ensinamento.
Pensador iluminista e professor de línguas orientais do Ginásio de Hamburgo, sua extensa obra -- publicada após sua morte -- rejeita a “religião revelada” e defende um deísmo naturalista. Reimarus acusou os escritores dos evangelhos de fraude proposital e inumeráveis contradições.

Francois Marie Arouet (Voltaire) (1694-1778)
A mais influente figura do Iluminismo, foi educado num colégio jesuíta e ainda assim concluiu “O cristianismo é a religião mais ridícula, absurda e sangrenta que jamais infectou o mundo... O verdadeiro Deus não pode ter sido dado à luz por uma garota, nem sido morto num cadafalso e nem ser comido numa porção de hóstia.” Preso, exilado, seus livros banidos e queimados, a grande popularidade de Voltaire na França assegurou-lhe um descanso final no Panteão, em Paris. Extremistas religiosos roubaram seus restos mortais e os atiraram numa pilha de lixo.

Count Constantine Volney, 1787,
As Ruínas; ou, Meditação sobre as revoluções dos impérios (Ruína dos Impérios). Pesquisador napoleônico, viu com seus próprios olhos evidências de precursores egípcios do cristianismo.

Edward Evanson, 1792,
A Dissonância dos Quatro Evangelistas Geralmente Recebidos e a Evidência de suas Respectivas Autenticidades.
Racionalista inglês que contestou a autoria apostólica do Quarto Evangelho e denunciou como espúrias várias epístolas Paulinas.

Charles François Dupuis, 1794,
Origem de todos os Cultos ou a Religião Universal.
Interpretação astrológico-mítica do Cristianismo (e de toda religião). “Um grande erro é mais facilmente propagado que uma grande verdade, porque é mais fácil crer que raciocinar e porque as pessoas preferem o maravilhoso do romance à simplicidade da História.” Dupuis destruiu a maior parte de seu próprio trabalho por causa das violentas reações que causou.

Thomas Paine, 1795,
A Idade da Razão.
Panfleteiro que fez o primeiro apelo à independência dos Estados Unidos (Bom Senso, 1776; Direitos do Homem,1791) Paine derramou sátiras virulentas nas contradições e atrocidades da Bíblia. Como muitos revolucionários americanos, Paine era deísta:

"Eu não creio na fé professada pela igreja judaica, pela igreja romana, pela igreja grega, pela igreja turca, pela igreja protestante ou por qualquer outra de que tenha notícia... Cada uma destas igrejas acusa a outra de descrença; e de minha parte eu descreio de todas.” – A Idade da Razão

Robert Taylor, 1828,
Sintagma de Provas da Religião Cristã; 1829, Diegesis.
Taylor foi aprisionado por afirmar as origens míticas do cristianismo. “Os primeiros cristãos entendiam as palavras como nada mais que a personificação do princípio da razão, da bondade, ou daquele princípio, seja qual for, que pode ser mais benéfico à humanidade durante o curso de uma vida.”

Godfrey Higgins (1771-1834). 1836,
Anacalipse – Uma Tentativa de Remover o Véu da Ísis Saíta ou um Inquérito da Origem das Línguas, Nações e Religiões. Pioneiro inglês da arqueologia e Maçom.

Bruno Bauer, 1841,
Crítica da História Evangélica dos Sinóticos. 1877, Cristo e os Césares. A Formação da Cristandade entre os Romanos Helenizados. O iconoclasta original. Bauer contestou a autenticidade de todas epístolas paulinas (nas quais viu a influência de pensadores estóicos, como Sêneca) e identificou o papel de Fílon no cristianismo emergente. Bauer rejeitou a historicidade do próprio Jesus. "Tudo que se sabe sobre Jesus pertence ao reino da fábula.” Como resultado, em 1842, Bauer foi ridicularizado e removido de sua cátedra de Novo Testamento em Tübingen.

Ralph Waldo Emerson, 1841,
Ensaios.
Inicialmente cristão trinitário e posteriormente ministro unitário, defendeu que Jesus era um “verdadeiro profeta”, mas que o cristianismo institucionalizado era um “despotismo oriental”: “Nossas escolas dominicais, igrejas e ordens monásticas são jugos sobre nossos pescoços."

Mitchell Logan, 1842,
A Mitologia Cristã Revelada. “A opinião predominante, embora infundada e absurda, é sempre a rainha das nações.”

Ferdinand Christian Baur, 1845,
Paulo, o Apóstolo de Jesus Cristo.
Estudioso alemão que identificou como “inautênticas” não apenas as epístolas pastorais, mas também Colossenses, Efésios, Filêmon e Filipenses (deixando apenas as quatro principais epístolas paulinas consideradas genuínas). Baur foi o fundador da assim chamada “Escola de Tübingen”.

David Friedrich Strauss, 1860,
A Vida de Jesus Examinada Criticamente.
Vigário luterano que se tornou estudioso, expôs magistralmente os milagres evangélicos como mito e, no processo, reduziu Jesus a um homem comum, o que lhe custou sua carreira.

Ernest Renan, 1863,
Vida de Jesus.
Educado como padre católico, escreveu uma biografia romanceada do homem-deus, sob a influência dos críticos alemães. Custou-lhe seu emprego.

Robert Ingersoll, 1872,
Os Deuses.
Extraordinário orador de Illinois, seus discursos atacavam a religião cristã. “Sempre me pareceu que um ser vindo de outro mundo, com uma mensagem de infinita importância para a humanidade, deveria pelo menos ter escrito tal mensagem de seu próprio punho. Não é admirável que nenhuma palavra foi jamais escrita por Cristo?”

Kersey Graves, 1875,
Os Dezesseis Salvadores Crucificados da Humanidade. Quaquer da Pensilvânia que viu um fundo pagão através das invenções cristãs, embora raramente citasse fontes para suas conclusões avançadas.

Allard Pierson, 1879,
O Sermão da Montanha e outros Fragmentos Sinóticos.
Historiador de arte, literatura e teologia que identificou o Sermão da Montanha como uma coleção de aforismos da literatura sapiençal judaica. Esta publicação foi o começo da Crítica Radical Holandesa. Não apenas a autenticidade das epístolas paulinas, mas a própria existência histórica de Jesus foi trazida à baila.

Bronson C. Keeler, 1881,
Pequena História da Bíblia.
Uma exposição clássica das fraudes cristãs.

Abraham Dirk Loman, 1882,
"Quaestiones Paulinae," in Theologisch Tijdschrift. Professor de teologia em Amsterdã que declarou que todas as epístolas paulinas datam do segundo século. Loman explicou que o cristianismo era a fusão do pensamento judaico ao helenístico-romano. Ao perder a visão, Loman acabou enxergando através das trevas da história da igreja.

Thomas William Doane, 1882,
Os Mitos Bíblicos e seus Paralelos em Outras Religiões. Desatualizado, mas uma revelação clássica dos antecessores pagãos dos mitos e milagres bíblicos.

Samuel Adrianus Naber,
1886, Verisimilia. Laceram conditionem Novi Testamenti exemplis illustrarunt et ab origine repetierunt.
Classicista que viu mitos gregos escondidos dentro das escrituras cristãs.

Gerald Massey, 1886,
O Jesus Histórico e o Cristo Mítico. 1907, Antigo Egito-A Luz do Mundo.
Outro clássico da pena de um inimigo precoce do clero.
Esse egiptologista britânico escreveu seis volumes sobre a religião do antigo Egito.

Edwin Johnson, 1887,
Antiqua mater. Um Estudo das Origens Cristãs.
Teólogo radical inglês, identificou os primeiros cristãos como os primeiros cristãos como os “crestianos”, seguidores de um bom (Chrestos, em grego) Deus que havia se apossado do mito de Dionísio Eleutério (“Dionísio, o Libertador”) para produzir um homem-deus altruísta que se sacrificou.
Denunciou que os doze apóstolos eram uma completa invenção.

Rudolf Steck, 1888,
A Epístola aos Gálatas investigada quanto à sua pureza e uma Observação Crítica das Principais Epístolas Paulinas. Estudioso radical suíço que classificou todas as epístolas paulinas como falsas.

Franz Hartman, 1889,
A Vida de Johoshua: Profeta de Nazaré.

Willem Christiaan van Manen, 1896,
Paulus.
Professor em Leiden e mais famoso dos Radicais Holandeses, um clérigo que não acreditava na ressurreição física de Jesus Cristo. Depois de resistir à conclusão por vários anos, van Manen admitiu que nenhuma das epístolas paulinas era genuína e que os Atos dos Apóstolos se baseiam nas obras de Josefo.

Joseph McCabe, 1897,
Porque Deixei a Igreja. 1907, A Bíblia na Europa: Investigação da Contribuição da Religião Cristã à Civilização. 1914, As Origens da Moral Evangélica.
Monge franciscano que se tornou evangélico e depois ateu. McCabe, prolífico autor, destroçou muitas partes da lenda cristã – "Não há uma "figura de Jesus" nos Evangelhos. Há uma dúzia de figuras" – mas continuou a admitir a plausibilidade de um fundador histórico, apesar disso.

Albert Schweitzer, 1901,
O Mistério do Reino de Deus. 1906, A Busca pelo Jesus Histórico.
O famoso teólogo e missionário alemão (35 Anos nos Camarões) ridicularizou o Jesus humanitário dos liberais e teve, ao mesmo tempo, coragem para reconhecer o trabalho dos Radicais Holandeses. Sua conclusão pessimista foi a de que o super-herói foi um fanático apocalíptico que morreu desapontado. Autor da célebre frase: "aqueles que buscam um Jesus histórico apenas encontram um reflexo de si mesmos."


“SOMOS TODOS ATEUS
com os deuses dos outros”

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