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28 de outubro de 2010

Capítulo 64: A Bíblia - Origem, enigmas e mistérios!

A Bíblia – Origem, enigmas e mistérios

A Bíblia é um livro muito antigo. Ela é o resultado da longa experiência religiosa do povo de Israel. É o registro de várias pessoas em diversos lugares, em contextos diversos. Foi escrita ao longo de um período de 1600 anos por cerca de 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais. Os cristãos acreditam que esses homens que escreveram a Bíblia foram inspirados por Deus e por isso consideram a Bíblia como a Escritura Sagrada. No entanto, nem todos os seguidores da Bíblia interpretam de forma literal, e muitos consideram que muitos dos textos da Bíblia são metafóricos ou que são textos datados que faziam sentido no tempo em foram escritos, mas foram perdendo seu sentido dentro do contexto da atualidade.
Para o cristianismo tradicional, a Bíblia é a palavra de Deus, portanto ela é mais do que apenas um bom livro “muito humano” e “completamente divino”, é à vontade de Deus para a humanidade. Para esses cristãos, nela se encontram, acima de tudo, as respostas para os problemas da humanidade e a base para princípios e normas de moral.
Os agnósticos vêem a Bíblia como um livro comum, com importância histórica e que reflete a cultura do povo que os escreveu. Os não crentes recusam qualquer origem Divina para a Bíblia e a consideram como de pouca ou de nenhuma importância na vida moderna, ainda que na generalidade se reconheça a sua importância na formação da civilização ocidental, apesar de ter origem no Médio Oriente. Dizem que a verdade, o enredo, e quem ditou a voz e o estilo dos “livros sagrados” é um pouco mais complexa.

A comunidade científica tem defendido a Bíblia como um importante documento histórico, narrado na perspectiva de um povo e na sua fé religiosa. Muito da sua narrativa foi de máxima importância para a investigação e descobertas arqueológicas dos últimos séculos. A arqueologia é a única que fornece dados novos. Mas os dados existentes são permanentemente cruzados com outros documentos contemporâneos, uma vez que , a história religiosa do povo de Israel singra em função da soberania de seu povo que se diz o “escolhido” de Deus e, inclusive, manifesta essa atitude nos seus registros. Independente da perspectiva que um determinado grupo tem da Bíblia, o que mais chama a atenção nesse livro é a sua influência em toda a história da sociedade ocidental e mesmo mundial. Face ao entendimento delas nações nasceram, como os Estados Unidos da América e povos e civilizações foram destruídas.
Sendo também o livro mais lido, mais pesquisado e mais publicado em toda a história da humanidade, boa parte das línguas e dialetos existentes, já foram alcançados por suas traduções. Por sua inegável influência no mundo ocidental, cada grupo religioso oferece a sua interpretação, muitas vezes sem a utilização da Hermenêutica.

Foram utilizados três idiomas diferentes na escrita dos diversos livros da Bíblia: o hebraico, o grego e o aramaico. O hebraico utilizado na Bíblia não é todo igual. A análise do idioma original é importante para captar sentido do termo ou as suas possíveis variantes.

Os cristãos crêem que a Bíblia foi escrita por homens sob “inspiração divina”, mas essa afirmação é considerada subjetiva na perspectiva de uma pessoa não-cristã ou não-religiosa. A interpretação dos textos bíblicos, ainda que usando o mesmo texto-padrão, varia de religião para religião. Verifica-se que, a compreensão e entendimento a respeito de alguns assuntos, pode variar de teólogo para teólogo, e mesmo de um crente para outro dependendo do idealismo e da filosofia definida, entretanto, quanto aos fatos e às narrações históricas, afirmam os cristãos haver uma unidade.

A fé dos leitores religiosos da Bíblia baseia-se na premissa de que “Deus está na Bíblia e Ele não fica em silêncio”. Ela seria uma carta de Deus para os homens. Para os cristãos o Espírito Santo atuou de uma forma única e “sobrenatural” sobre os escritores. Seguindo este raciocínio para os cristãos, Deus é o verdadeiro autor da Bíblia, e não seus escritores, por si mesmos. Para os crentes, a sua postura diante da Bíblia determinará o seu destino eterno.
Diferente das outras mitologias, os assuntos narrados na Bíblia são geralmente ligados a datas , a personagens ou acontecimentos históricos, apesar de não confirmarem os fatos narrados, por outro lado, comprovando que aconteceram de alguma forma. Os judeus acreditam que todo o Velho Testamento foi inspirado por Deus e, por isso, constitui não apenas parte da palavra divina, mas a própria palavra. Os cristãos, por sua vez, incorporam a tal entendimento todos os livros do Novo Testamento.
Os agnósticos e ateus possuem concepção inteiramente diferente, descrendo por completo dos ensinamentos religiosos, conforme veremos mais adiante as afirmações de muitos humanistas. Tal descrença ocorre face ao entendimento de que existem personagens e fatos cuja real existência e ou atos praticados são por eles considerados fantásticos, exagerados e prejudiciais ao progresso e a própria sobrevivência da humanidade. Tais como falsos milagres e os relatos de Adão e Eva, Dilúvio e Arca de Noé, Êxodo, David e Salomão, Jesus que nasceu de uma virgem ou voltará à Terra, Moisés, Jonas engolido por um “grande peixe”, etc. Os não crentes, alegam que a Bíblia e o Corão, sequer são exemplos de moralidade que possam ser considerados adequados. Ambos aceitam a escravidão. E qualquer um que os considere guias morais deve ser a favor da escravidão. Não há uma linha no Novo Testamento que denuncie a iniqüidade da escravidão. São Paulo até aconselha aos escravos que sirvam bem aos seus senhores e sirvam especialmente bem aos seus senhores cristãos. Os livros também não são autoridade e, física, astronomia ou economia.

Já na primeira página, surge o primeiro enigma: dois relatos diferentes da criação do mundo. Der acordo com um deles, Deus criou o Universo em sete dias e simultaneamente o homem e a mulher; segundo o outro, porém, a criação levou apenas um dia e criou antes o homem e, a partir de sua costela, formou a mulher. O primeiro diz que Deus criou os seres em ordem progressiva: plantas, animais e pessoas; segundo o outro, a ordem foi: homem, plantas e animais. A qual relato podemos dar crédito? E a teoria da evolução, hoje aceita e comprovada pela ciência? E a idéia de que os demais animais foram criados para fornecer-nos alimentos ou que temos autoridade divina sobre eles e permissão divina para matá-los? A interpretação da Bíblia ao pé da letra impede o ensino da evolução nas escolas.
Ou a Bíblia é a palavra de Deus, ou não é? Por que a Bíblia se contradiz dessa maneira? O que deu de errado com os cristãos e principalmente de que os seres humanos vem em primeiro lugar, prática arraigada de séculos? Será porque a Bíblia é apenas um livro comum escrito por mortais, ou não é?

Vejamos outros relatos da história do nascimento da Bíblia, que nos chegaram na visão cristã em busca da permanente busca por Deus. Há quase 4 mil anos, não havia um livro sagrado que guiasse as práticas espirituais do povo nômade que ocupava a região da atual Palestina, chamada a princípio de Canaã e depois de Israel. As histórias de fundo moral, que orientavam a conduta do grupo, eram contadas de pai para filho ao redor da fogueira nas pequenas celebrações que ocorriam nos acampamentos e foram preservadas pelas suas tradições e crenças. Transmitidos de geração em geração. Tais relatos constituíram o embrião do que hoje é a Bíblia, conjunto de livros sagrados que conta a saga dos judeus e dos primeiros cristãos.
O Antigo Testamento descreve a história do povo de Israel, escolhido por Deus para realizar seu projeto: ser o Absoluto, para que as relações humanas se tornassem mais fraternas.

Um grande mistério e enigma na Bíblia é a extraordinária longevidade dos primeiros homens. Adão, viveu 930 anos, seu filho Set 912; seu neto Enos, 905. Noé, quando as águas do dilúvio “invadiram a terra” , 600 anos. Houve até um patriarca, Matusalém, que atingiu 969 anos. O culto a Deus era transmitido de geração e geração. Assim, os patriarcas bíblicos vieram muitíssimos anos ocupando-se de mostrar o caminho até a perfeição? Será possível que nossos antepassados chegaram a viver tantos anos? Estava Deus premiando os que eram bons? Uma hipótese é a de que no Antigo Testamento não havia a noção de outra vida após esta.
Há também outros fatos incompreensíveis , como por exemplo o último livro de Apocalipse. Quem seria a “Besta” que ali aparece e que perseguirá de forma sangrenta os crentes dos últimos dias? Seriam os imperadores romanos, sete reis? João mostra uma espécie de enigma de ser decifrado, dizendo o seguinte:

“Eis aqui a sabedoria! Quem tiver inteligência,
calcule o número da Besta, porque é o número de um homem,
e esse número é 666” (13,18).

Vale lembrar que os Persas, tinham sua concepção própria da ordem natural e sobrenatural, formulada por Zoroastro. Não era mitologia, mas antes uma filosofia cósmica. Influenciada pela astronomia babilônica, exerceu o seu efeito sobre os Judeus no que diz respeito à idéia do mal num mundo em que a fé ficaria sob o domínio divino para todo e sempre, assim como o pecado, o perdão e a virtude e a sua defesa. Já usavam “a palavra” nos rituais para que o seu propósito se tornasse acessível aos fiéis e para que através da expressão articulada ele (Deus) viesse a ser duplamente alcançado, constituía um dos mais importantes elementos das antigas religiões.
Tinham também a versão primitiva da criação do homem, lullu, o correspondente mesopotâmico do Adão (Adam que vivia e foi expulso no Jardim do Paraíso, a Arvore da Vida) do Gênesis, criado pela deusa-mãe Ninhursag, a terra original, a partir do barro. O dilúvio, a torre de babel.
São Miguel Arcanjo um dos três anjos citados na Bíblia que falou com Moisés no Monte Sinai. Foi por força da influência babilônica e persa que os judeus passaram a dar nome aos anjos. S. Miguel encontra paralelo em Vohumano, obra-prima do Deus babilônico Ahura e em Amesha-Spentas, espírito guerreiro do Zoroastrismo.
Os etruscos, gregos, egípcios, chineses e hindus tiveram seu Jardim do Éden e a árvore da vida. Então os persas, babilônicos, nubianos, os povos do sul da Índia, todos tinham sua história da tentação do homem e da serpente astuta. Os chineses acreditavam que o mal caiu sobre a terra por desobediência de uma mulher. E até os habitantes do Taiti acreditavam que o primeiro homem fora criado da terra, e a primeira mulher, dos seus ossos. Segundo os persas: Deus criou o mundo em seis dias, um homem chamado Adama, uma mulher chamada Eva, e então descansou. Todas estas histórias e todos os deuses igualmente inspirados.
É impossível relacionar todas as analogias e afinidades dos textos bíblicos judaico-cristã do Antigo Testamento com as crenças, lendas e mitos dos deuses da antiga mesopotâmia, que são muitas. Sugiro consulta as obras de John Gray doutorado em religião, professor de Hebraico e Línguas Semitas.

Da memória do povo até o texto na cerâmica, no pergaminho ou no papiro, houve um longo processo de elaboração, que durou dezenas de séculos e passou por várias mãos, até que cada livro ganhasse a estrutura final, escrita originalmente em hebraico, aramaico e grego e traduzido para mais de 2 mil idiomas e dialetos.
Em breve teremos novas versões modernizadas agitando as Escrituras : A Green Bible (“Bíblia Verde”) que destaca passagens relacionadas a ecologia e, a Bíble Illuminate, (em inglês, sem tradução ainda para o português da Bíblia Iluminada) com design moderno e fotos de celebridades.
A mais sagrada das bibliotecas abriga, na contagem dos católicos, 73 livros e 66 na versão de protestantes e evangélicos, que não incluem os textos chamados de “deuterocanônicos” (Macabeus 1e2, Tobias, Judite, Eclesiástico, Sabedoria e Baruc), pois não os consideram “inspirados por Deus” como os demais. Todos os cristãos costumam dividir as Escrituras em dois grupos: Antigo e Novo Testamento, escritos respectivamente antes e depois de Jesus.

Cerca de 2800 anos atrás, as comunidades da Palestina já sedentárias, começaram a redigir seus relatos orais em pedaços de cerâmica e em pergaminho. Mais tarde, eles foram passados para o papiro, importado do Egito e não se sabe quais teriam sido exatamente os primeiros textos escritos, que podem ser os cânticos de Miriam e de Débora. Os protagonistas da Bíblia, especialmente das histórias mais antigas, foram os hebreus, um povo etnicamente mesclado. A elaboração dos relatos sofreu forte influência de outras culturas do Oriente antigo, já que os hebreus estiveram sob o domínio dos impérios babilônico, persa, macedônio, entre outros. As imagens de anjos e do diabo, por exemplo, vêm da Pérsia, da época em que os sacerdotes detinham o poder político.
A grande motivação para registrar a saga do povo foi a saída dos hebreus do Egito em 1250 a . C. aproximadamente onde eram cativos. Um dos personagens mais importantes desse episódio foi Moisés, o herói do livro do Êxodo. A ele, o Deus único teria se revelado sob a forma de sarça ardente e teria sido ele quem teria libertado os hebreus do Egito, conforme a clássica passagem da travessia do Mar Vermelho e os levara para a Terra Prometida, confiada por Deus aos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. Em Canaã, o Todo-Poderoso teria se mostrado aos hebreus como seu novo Soberano e lhes apresentado a Lei dos Dez Mandamentos. Por causa disso, eles se consideravam os “eleitos” e por isso, a história do povo de Israel, ainda em formação, precisava ser registrada.
Segundo uma lenda judaica, a Torá (obra precursora da Bíblia) teria sido escrita por ele. Mas há controvérsias, pois existe um trecho da Torá que diz: “Moisés morreu e foi sepultado pelo Senhor próximo a Fegor”. Ora, se Moisés é o autor do texto, como ele poderia ter relatado a própria morte?

Os relatos começaram a ser escritos somente cinco séculos mais tarde, para dar consciência histórica para um povo que sempre sofria invasões. No processo de organização da Bíblia, muitas histórias se perderam, outras foram descartadas ou ganharam novos contornos de acordo com a mensagem que se pretendia passar. Foram os reis, os sacerdotes, os escribas e os profetas que começaram a dar ordem às varias histórias de fé e prática da justiça, que circulavam pelas camadas mais populares da sociedade. As elites acreditavam num Deus único e tentavam impor sua visão religiosa para o restante da população. Conforme afirma o escritor , André Chevitarese. “A Bíblia é uma seleção de escritos do grupo que conseguiu impor sua visão de Deus”.

Nessas sucessivas transcrições, cópias de outras cópias, introduziram modificações na história, várias intencionais, principalmente nas narrativas escritas em material reutilizável, como o pergaminho e é possível encontrar muitas anotações e interpretações sobre os originais. Os monges que copiavam as Escrituras mudaram textos para atacar seus desafetos: as mulheres e os muçulmanos. As pesquisas de hoje procuram descobrir o que os autores queriam dizer, levando em conta como e quando um texto foi produzido, seu estilo e destinatário. A tarefa não é simples, por terem passado por diversas mãos e em diversas fases. Grande parte foi escrita na Palestina. Depois de Jesus teve a fase da reprodução da Bíblia.
Essa facilidade de dar crédito, de aceitar e admitir coisas mal inventadas ou francamente garantidas, trata-se de erro da história eclesiástica. Que com demasiada facilidade registrou relatos e narrativas de milagres realizados por mártires, eremitas ou monges do deserto e outros homens santos, e recebeu suas relíquias, santuários, capelas e imagens: essas coisas, embora tenham tido legitimidade em certa época por causa da ignorância das pessoas e superstição de alguns, interesse político de outros. Após um certo período essas fábulas, de crédito duvidoso, imposturas do clero com ilusões de espíritos e sinais de Anticristo, são um escândalo em detrimento da religião.

O Novo Testamento transmite a obra de Jesus como manifestação divina no mundo foram escritos entre os anos 30 e 150, em regiões da Síria e da Ásia Menor, na Grécia em Roma, onde havia muitas comunidades seguidoras do apóstolo Paulo. Mesmo com autoria aparentemente definida, também não se sabe quem, de fato, redigiu esse segundo conjunto de livros bíblicos. A resposta mais óbvia seria Paulo, mas no entanto , o autor é Tércio (V.16.22). Paulo nunca viu Cristo, mas foi o primeiro a escrever sobre ele. Nascido na Turquia, Paulo viajou e fundou igrejas pelo Oriente Médio. Ele escreveu cartas para essas igrejas, contando a incrível aventura de um tal de Jesus, que foi crucificado e ressuscitado.
A redação dos evangelhos (“boa nova”) não foi escrita por Mateus, Marcos, Lucas e João, mas por seguidores de suas idéias. Lucas nem conheceu Jesus, viveu na Síria e apoiou seu relato apenas em testemunhos. As Cartas de São Paulo, defensor da lei judaica que se converteu e se tornou um dos personagens mais importantes do cristianismo, foram escritos pelo menos 30 anos depois da morte de Jesus. Chevitarese, afirma em entrevista a Revista Religiões. As cartas pastorais e a carta a Tito, foram redigidas de acordo com sua linha de pensamento, por aqueles que propagavam as suas idéias.

A escolha dos livros da Bíblia, considerados sagrados e divinamente inspirados ocorreu em 393 no Concílio regional de Hipona, na África do Norte. Depois de uma longa batalha doutrinária dentro da Igreja, os textos que saíram vencedores foram promulgados oficialmente em 1546, no Concílio de Trento. Os livros que não pertenciam ao cânon, a lista dos escolhidos, ganharam a alcunha de Apócrifos (reservados, escondidos), e muitos foram para a fogueira por ter sido considerados heréticos.
O grande impulso para o estudo dos apócrifos veio em 1945, quando Naj Hammadi, no Egito, encontrou os restos de uma biblioteca. Esses textos contam histórias do Antigo Testamento e alguns eram muito lidos entre cristãos e judeus. Mesmo fora da Bíblia, muitos deles continuam, sendo propagados nas igrejas e fazem parte da religiosidade popular. Relatam nomes como dos ladrões crucificados com Jesus, a infância de Maria e seu casamento com José, e o nome dos reis magos. Cerca de 52 livros do Primeiro Testamento e 60 do Novo ficaram de fora, além de milhares de papiros e pequenos fragmentos, escritos no século 2 a . C. ao 8 d . C. Trata-se de uma outra Bíblia, uma Bíblia apócrifa.

Uma lenda curiosa, propagada ao longo dos anos, conta como foi a tradução da Bíblia do hebraico para o grego: 72 sábios judeus (seis de cada uma das 12 tribos de Israel), teriam sido requisitados pelo Templo de Jerusalém para traduzir a Bíblia a pedido de Ptolomeu, o governante de Alexandria, no Egito, durante o século 3 a . C. Os eruditos judeus numa missão de diplomacia participaram de um banquete de sete dias com o rei, que lhes fez várias perguntas sobre como governar bem e obteve respostas sempre baseadas em ensinamentos divinos. Depois, os sábios foram enviados para a ilhota de Faro, onde terminaram o trabalho de tradução da obra em 72 dias. Na verdade a tradução foi feita por vários grupos de judeus da própria comunidade de Alexandria que já estava helenizada e falava grego. Os 72 sábios podem ser lenda, mas outros números da Bíblia eram bastante simbólicos para os judeus e tinham forte conotação teológica, aparecendo principalmente em livros apocalípticos como Daniel, no Primeiro Testamento e Apocalipse, último texto bíblico.

A definição dos livros que entraria no Antigo Testamento, ocorreu por volta dos 80 a 100 da era cristã em Jâmnia, no sul da Palestina, embora os últimos escritos já estivessem prontos desde o século 1a . C. Os judeus reunidos escolheram 39 livros considerados inspirados, por serem os mais antigos traduzidos na Palestina, estarem em hebraico e terem orientação favorável a Israel e uma forma de dar unidade aos judeus da Diáspora. Ficaram de fora textos que colocavam o centro de Samaria e textos essênios que criticavam as elites que controlavam o templo e outros... O Antigo Testamento descreve a história do povo de Israel, escolhido por Deus para realizar seu projeto: ser Absoluto, para que as relações humanas se tornassem mais fraternas.
Foi somente em 1546, no Concílio de Trento, que os 73 livros da Bíblia, 39 do cânone hebraico mais os 7 deuterocanônicos (que não constavam do cânone, mas eram lidos pelos judeus de língua grega) e os 27 do Novo Testamento foram considerados inspirados por Deus e aprovados oficialmente pela Igreja Católica. Na escolha dos textos que deveriam entrar no Novo Testamento, tiveram preferência aqueles que mostravam que Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia e reforçavam que Ele teria vindo confirmar as profecias do Antigo Testamento. Até se chegar na Bíblia tal qual ela é hoje houve brigas de grupos de ideologia, por motivos doutrinários e sociopolíticos, disse o cientista da religião Luigi Schiavo, da Universidade católica.

O escritor H. L. Mencken diz de forma irrefutável em seu livro "Treatise on the Goods":

O fato simples é que o Novo Testamento, como o conhecemos, e uma acumulação atabalhoada de documentos mais ou menos divergentes, alguns deles provavelmente de origem respeitável, mas outros claramente apócrifos, e a maioria deles, tanto os bons quanto os ruins, mostram sinais inequívocos de terem sido adulterados.

A Bíblia, é considerada de Inspiração Divina, mas passou pelo raciocínio humano, porque grupos de pessoas decidiram quais eram os livros que deveriam entrar. Ao longo dos anos, surgiram inúmeras versões da Bíblia e muita gente entrou em cena para traduzir as Escrituras Sagradas. Sabemos que são 1.328 capítulos, que possui 40.030 versículos, que suas palavras no texto original são 773.692, que a palavra Javé, o nome sagrado de Deus, aparece 6.855 vezes.
O Novo Testamento conta a vida de Jesus Cristo, o “carpinteiro” da aldeia de Nazaré que se proclamou filho de Deus encarnado na Terra para dar continuidade ao projeto divino. Jesus não deixou nada escrito. Foram os apóstolos e discípulos os autores dos relatos sagrados. Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram propositais, de acordo com a teologia do escrivão. A julgar pelo último livro da Bíblia cristã, o Apocalipse (que descreve o fim do mundo), o receio de ter suas narrativas “editadas” era comum entre os autores do Novo Testamento. No versículo 18, lê-se uma terrível ameaça: “Se alguém fizer acréscimos às páginas deste livro Deus o castigará com as pragas descritas aqui”. Uma verdadeira baderna teológica, nos primeiros séculos do cristianismo, com montes de seitas defendendo idéias diferentes sobre Deus e o Messias.
Durante muito tempo, o Primeiro Testamento utilizado pelos católicos e pelos ortodoxos baseava-se na tradução grega, a mesma da lenda dos sábios, feita por volta de 250 a .C. Trata-se da chamada Septuaginta (“Bíblia dos Setenta”), que reuniu 72 sábios judeus para traduzir a Tanach. Feito tudo em 72 dias e inclui textos que não constam na Bíblia judaica Tanach. Mais tarde a Vulgata, feita por São Jerônimo, tornou-se a tradução latina oficial da Igreja católica e se apóia no original hebraico do Antigo Testamento.Cometeu alguns erros, como dizer que o profeta Moisés tinha chifres (uma confusão com a palavra hebraica karan, que na verdade significa “raio de luz”. No Novo Testamento, claro, a morte de Jesus não é vista simplesmente como uma maldade de um Estado romano injusto. É vista também como vontade de Deus. Ainda assim, os autores do Novo Testamento insistiram muito em que mesmo tendo Deus produzido algo bom com a morte de Jesus – algo muito bom: a salvação do mundo, as pessoas que perpetraram o crime ainda eram responsáveis. O pecado tem suas tristes conseqüências no sofrimento dos outros. O mesmo pode ser dito de outros casos de tratamentos violentos, dor, sofrimento e mortes horríveis no Novo Testamento.

Já os protestantes e os evangélicos sempre seguiram a versão da Bíblia judaica, ou seja, a tradução feita com base no hebraico, com apenas capítulos em aramaico. A primeira versão para um idioma que não fosse o latim coube a Martinho Lutero que traduziu a Bíblia para o alemão no século 16, durante a Reforma Protestante, quando a Bíblia passou a ser mais livre e sua interpretação menos dogmática. A partir de então apareceram um grande número de igrejas protestantes e traduções. Ao traduzir a Bíblia, Lutero excluiu os livros Deuterocanônicos e mudou algumas coisas. Para ele, confessar os pecados era inútil. O importante era transformar a vida pela fé.

No Espiritismo estão presentes os textos bíblicos considerados importantes para a conduta moral. O Livro Sagrado do Islamismo conta muitas histórias bíblicas, mas algumas delas apresentam versões diferentes dos textos seguidos por judeus e cristãos. Jesus é considerado profeta, mas não é Deus. Para eles o mundo foi criado em seis períodos diferentes e que Deus é capaz de criar a cada dia algo novo e a conotação de descanso não existe para os islâmicos.

Os judeus dizem que a Palavra de Deus foi dada a Moisés cara a cara; os cristãos dizem, que a Palavra de Deus veio por inspiração divina, os muçulmanos dizem, que sua Palavra foi dada através de um Anjo do céu a Maomé. Cada igreja aponta a outra de incredulidade e possuem as suas próprias crenças. Os judeus tem Moisés; os cristãos Jesus Cristo e seus apóstolos e santos; os islâmicos tem Maomé . Os asiáticos suas divindades. E as Igrejas emprestam e mostram os livros, que eles chamam de revelação ou a Palavra de Deus com uma missão especial. Judeus e Cristãos não podem estar ambos certos porque o núcleo de suas crenças é contraditório.
Na verdade, eles estão equivocados sobre muitas coisas, exatamente como estavam antes os adoradores dos deuses egípcios ou gregos. Os adoradores de milhares de deuses que morreram durante a longa e escura noite de superstição e da ignorância humana. A nação cristã certamente vão perceber que ser um cristão devotado faz tanto sentido, quanto ser um muçulmano devotado, que por sua vez, é tão lógico quanto ser um adorador de Poseidon, o Deus do mar na Grécia antiga.

Ou Cristo era divino, ou não era. Se a Bíblia é um livro comum, e Cristo era um homem comum, então a doutrina básica do cristianismo é falsa. Se a Bíblia é um livro comum, e Cristo era um homem comum, então a história da teologia cristã é a história de homens estudiosos dissecando uma ilusão coletiva. Se Cristo disse e fez o que os escritores dos Evangelhos dizem que ele disse e fez, então Cristo estava enganado. Se estava enganado, então certamente não era um Deus. Se estava enganado, certamente não era inspirado.

E se os princípios básicos do cristianismo são verdadeiros, então há surpresas extremamente desagradáveis à espera de descrentes como eu que já foram cristãos.

Como diria o meu médico. – “Se a Bíblia provasse a existência de Deus, as revistas em quadrinhos provariam a existência do Super-Homem”. A fé religiosa dos crentes é opcional, mesmo que continuem acreditando nos “milagres” e “expulsão de demônios” realizadas por JC, embora profundamente suspeitas, é particular e irrelevante. E a escolha de separar nos textos bíblicos o que é fato histórico e o que parábola ou lenda religiosa é de cada um. Pensando honestamente é fundamental erguermos uma civilização verdadeiramente universal e global, se falarmos sobre a felicidade humana e nossa experiência espiritual na linguagem da existência do século XXI, deixando a mitologia para trás.



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“A Vida de Brian - o filme de Monty Python, proibido de exibição em alguns países, mostra uma sátira anárquica sobre os temas bíblicos e religião. O cenário é a Judéia, ano 33 D.C., numa divertida comedia, onde imitam Pôncio Pilatos, profetas malucos, centuriões romanos e atos de crucificação”.

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ET:
Os créditos sobre o capítulo anterior Humanismo, são do site que recomendo:
http://www.humanismosecular.org/humanismo

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