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30 de maio de 2010

Capítulo 44: O Cristianismo e a queda do Império Romano

O Cristianismo e a queda do Império Romano


A civilização romana entra em crise, caracterizando assim o Baixo Império. A expansão territorial, base de toda a riqueza e estabilidade política foi se esgotando devido a própria expansão territorial alcançada; da pressão dos povos dominados, da distancia e como eram mais capturados novos escravos a economia romana entrou em crise. Paralelamente, crescia em meio à população cativa a adesão, a uma nova crença, o Cristianismo, que surgira durante o governo de Otávio Augusto e logo passara a expandir-se dentro das fronteiras do império.
As ordens sociais e religiosas fundiram-se numa só. Novas religiões como o Cristianismo e o Judaísmo, passaram a venerar um só Deus criador, em vez da tradicional variedade de deuses.
A religião egípcia era, no início politeísta, mas desenvolveu-se em duas direções opostas: em uma direção, os deuses eram multiplicados pela adição de deuses locais, e, na outra, os egípcios se voltaram cada vez mais para o monoteísmo. Em antigos textos religiosos (Ptah-hetep e Máximas de Khensit-hetep), acreditavam em um Único Deus (Neter), que era auto-existente, imortal, invisível, eterno, infinito, misericordioso, onisciente, onipotente e inescrutável; o criador do céu, da Terra e do outro mundo, do céu e do mar, dos homens e mulheres, dos animais e dos pássaros, dos peixes e dos répteis, das árvores e das plantas, e dos seres não corpóreos, que eram os mensageiros que realizavam seu desejo e sua palavra. Ele havia falado com Sua boca. Ele formou a humanidade e modelou os deuses . Ele é o Único grande Mestre, o primordial Oleiro que transformou os homens e deuses sobre uma mesa de oleiro. O emblema visível, e o modelo e símbolo de Deus, isto é o Deus–Sol-Rá, que foi cultuado no Egito em tempos pré-históricos. As suas idéias religiosas que sustentaram, pois a totalidade de sua teologia e de sua religião estava baseada nessa crença.
Os compiladores de textos religiosos de todos os períodos mantiveram superstições em excesso e crenças grosseiras, que eles sabiam bem serem os produtos da imaginação de seus ancestrais selvagens ou semi-selvagens, homens-animais, não porque eles acreditassem nelas, ou pensassem que a laicidade a que eles serviam iria aceita-las, mas por causa de sua reverência às tradições herdadas.
Os seguidores de toda grande religião no mundo nunca se livraram inteiramente de todas as superstições que herdaram em todas as gerações dos seus ancestrais; e o que foi a verdade dos povos do passado continua sendo, em certo grau, dos povos de hoje. Ou seja que Deus fica lá no céu brincando com as pessoas. E quando alguma de suas criações faz alguma coisa que não lhe convém, Ele simplesmente a lança em desgraça!
A história de Osíris o Deus da Ressurreição e Vida Eterna para seus seguidores já era conhecida, pela tradição e através do Livro dos Mortos. Mesmo depois que os egípcios abraçaram o Cristianismo, eles continuaram a mumificar seus mortos. E por muitos tempo, depois eles continuaram misturando os atributos de seu Deus e dos “deuses” com aqueles do Deus Onipotente e Cristo.
Com a morte da arte morreu também a crença e o culto de Osíris, que de ser o Deus dos mortos tornou-se um deus morto. E para os cristãos do Egito, pelo menos, seu lugar foi preenchido por Cristo, “suas primícias que dormiram”, cuja ressurreição e poder para conceder vida eterna estavam sendo pregados naquele tempo por toda a parte do mundo conhecido. Em Osíris, os egípcios cristãos encontraram o protótipo do Cristo.
Nas estátuas, nas pinturas dos papiros vemos Ísis amamentando seu filho Hórus. Perceberam as semelhanças da Virgem Maria e seu Filho. O Jesus mítico tem importantes traços de uma das religiões mais antigas do planeta, o Xivaísmo indiano, cujos vestígios remontam a pré-história. A devoção ao Menino Jesus, reedita o culto de Murugan, o filho de Xiva – o Deus Supremo.

Por outro lado, sábios gregos como Platão e Aristóteles fundaram escolas de pensamentos, baseadas na observação precisa e na lógica austera, e não nas interpretações místicas. Os habitantes do Mediterrâneo oriental e da Mesopotâmia, desenvolveram, de 1300 a . C., ao nascimento de Cristo, pela primeira vez na história, algo como uma “consciência”. Onde os homens se encontravam severamente inseridos numa ordem divina, sem vontade própria, surgiram relatos como a Odisséia de Homero, em que apareciam heróis com traços humanos , não mais dependentes, em todas as suas ações, das diferentes divindades. A recém-descoberta liberdade espiritual deu azo à ascendência da grande potência militar da Assíria mas também à ascendência dos pensadores gregos, que começou em 600 a . C., com o famoso conceito do “auto-conhecimento” de Sólon.
Com essa nova consciência surgiu a idéia do dualismo do corpo e da alma no homem, nascendo algo semelhante a uma consciência temporal. O confronto com o fenômeno do tempo deu origem às primeiras crônicas e com ela a invenção da história, mas também à mitologia da criação, como a história de Adão e Eva: terão sido o “pecado original” no Paraíso e o “Dilúvio” punitivos avisos para os novos pensadores demasiados “livres”?. Como quer que seja, com o início do pensamento científico na Grécia antiga a humanidade começou a busca de suas raízes no tempo e no espaço e de seu lugar no Universo.
Nunca a cristandade encontrou em algum outro lugar do mundo um povo cujas mentes foram tão cuidadosamente bem preparadas para receber suas doutrinas e dogmas.

O espiritualismo cristão e a crença na vida após a morte, chocavam-se com a tradicional religião romana, inspirada na grega e egípcia, essencialmente prática e ligada à obtenção de vantagens concretas e imediatas. Para os escravos, o espiritualismo cristão e seu caráter ético era consolador e carregado de esperanças: para os bons cristãos , uma vida melhor após a morte no paraíso; para os maus ou para os pagãos, o contrário, uma vida eterna no inferno. Em última análise, o Cristianismo oferecia aos escravos uma alternativa de salvação, ainda que após a morte.

Sendo universal, contrária à violência, rejeitando a divindade do imperador, bem como a estrutura hierarquizada e militarizada do império, a nova religião passou a ter um caráter subversivo para a estrutura política romana. Na medida em que o colapso econômico rondava o império, cada vez mais homens livres se convertiam ao cristianismo. Tratava-se , agora de salvar o império, e, nesse processo, destacam-se os imperadores:
Marco Aurélio (121-180), imperador romano e filósofo, natural de Roma, aprendiz de Diogneto e Alexandre, deixou, além de sua correspondência escrita em latim, um livro escrito em grego, o qual condensa todo o seu pensamento na história das idéias, representa o estado mais elevado atingido pela consciência moral, antes do misticismo platônico e fora da influência cristã. Jeová comparado com Marco Aurélio fica pequeno.
Ensinava que o ideal que se deve procurar na vida não é a felicidade, mas a tranqüilidade e o domínio equilibrado de todos os sentimentos, paixões e emoções. Isso é obtido quando se vive de acordo com a natureza e suas leis, que devem ser aceitas corajosamente. O homem deveria aprender a aceitar o seu destino, a enfermidade e a morte eram regidos pelas constantes leis da natureza. Nada acontece por acaso e tudo acontece porque tem de acontecer e de nada adianta alguém lamentar a sorte quando o destino bate à sua porta. Também as coisas felizes da vida devem ser aceitas pelo homem com grande tranqüilidade. Há, pois, quatro virtudes principais que o homem deve necessariamente cultivar:

A Sabedoria ou prudência, que consiste em perceber o bem e o mal, em sentir o alcance real dos atos, das palavras e das atitudes, fazendo sempre aquilo que é melhor e mais salutar;
Fortaleza ou coragem: conhecido o bem e o mal, resta a disposição de praticar corajosamente o bem e evitar rigorosamente o mal;
Temperança: ou moderação, ou seja, a capacidade de não se deixar levar pelos extremos culposos, dando à razão proeminência que merece;
Justiça: que é a disposição de dar a seu dono o que é seu direito.

Apesar de ter perseguido, em vida, o Cristianismo porque preferia a religião do Estado, por considerá-la mais apta para manter a unidade do império, foi, contudo, através do seu livro, um inspirador cristão. Muitos dos seus pensamentos éticos foram “tomados” pela igreja como meios de santificação. Notadamente influenciou os primeiros escritores cristãos da igreja como Santo Agostinho.

Diocleciano (284-305): criou o Édito Máximo, fixando preços de mercadoria e salários para combater a crescente inflação e dividiu o governo entre quatro generais.
Constantino (313-337), por meio do Conselho de Nicéia, adotou o Cristianismo como religião oficial de Roma e promoveu a cruz pagã como símbolo (embora Jesus tivesse morrido numa “estaca ou poste”). O imperador sanguinário passou a ser Deus e líder religioso dos cristãos. Estabeleceu também uma segunda capital em Constantinopla. Quando o imperador romano Constantino converteu-se ao catolicismo e deu sua fortuna colossal ao Papa de então, Silvestre I, criou o primeiro Papa rico. Dante conclui o inferno com as seguintes palavras:

“Ah, Constantino, quanto infortúnio causaste,
Não por te tornares cristão, mas pelo dote
Que o primeiro Papa rico aceitou de ti.”


Teodósio (378-395): transformou o Cristianismo em religião oficial do império (Édito de Tessalônica), nomeando-se chefe da religião organizada. Dividiu o Império Romano em duas partes: o do Ocidente com capital em Roma e do Oriente com capital em Constantinopla. O império Romano Ocidental sofreu a invasão dos bárbaros que saquearam Roma e decretaram o fim do Ocidental, sob o último imperador romano Rômulo Augusto.
Teodósio proibiu as Olimpíadas sob o pretexto de que os Jogos Olímpicos, disputadas durante 12 séculos (até 393da era cristã) eram “manifestações pagãs”. Teodósio II seu filhos, duas décadas depois destruiu os templos de Olímpia.

Roma herdara dos gregos a visão humanista do mundo. A própria
religião dos romanos era uma adaptação à religião grega, incluindo as mesmas divindades, assim como o Deus grego Zeus passou a ser Júpiter para os romanos. Dionísio transformou-se em Baco e Poseidon em Netuno, entre outros. Sua arquitetura também foi inspirada na grega. Os romanos também se destacaram na língua e na literatura, com Cícero, maior orador latino; Ovídio, autor de Arte de Amar, Tito Lívio, autor de História de Roma; Virgílio, autor de Eneida, relato da fundação mítica de Roma; entre muitos outros.
O maior legado romano à posteridade, entretanto, foi seu Código de Leis. Dividia-se em:

Jus Naturale (direito natural), compêndio de filosofia jurídica;
Jus Gentium (direito de gentes), compilação de leis abrangentes, ou seja, não considerava nacionalidades; e
Jus Civile (direito civil), leis aplicáveis aos cidadãos de Roma.

Com o declínio e a queda do império romano, embora o longo desfile de imperadores malignos tenham por fim deixado a Cidade Eterna, uma sucessão de pontífices igualmente corruptos, cruéis e sanguinários apresentou- se para assumir o seu legado.
“O pontificado – não passa do fantasma do extinto Império Romano erguido do túmulo”, escreveu Thomas Hobbes.
Durante séculos, os papas foram os monarcas supremos, autodeclarando-se não só representantes de Cristo na Terra, mas também soberanos de reis – “Todos os príncipes têm o dever de beijar os pés do papa”, o santo padre.
Assim como a Igreja cristã foi fundada com sangue, confirmada com sangue, dilatada com sangue, assim também os papas a governaram com sangue, como se nunca Jesus Cristo tivesse existido para protegê-la e sustentá-la. A guerra é, por natureza, tão cruel, que muito mais conviria às feras do que aos homens; tão insensata que os poetas atribuíram às fúrias do inferno; tão pestilenta que corrompe todos os costumes; tão iníqua que a fazem melhor perversos ladrões do que homens probos e virtuosos; finalmente, tão ímpia que nenhuma relação possui com Jesus Cristo nem com sua moral...já afirmava Erasmo de Rotterdan em “Elogio da Loucura”. Todas as atrocidades e escândalos cometidas pelos revenderíssimos papas podem ser encontrados em dezenas de livros sobre o assunto.

“A humanidade só saiu da barbárie mental primitiva, quando se evadiu do caos das suas velhas lendas e não temeu mais o poder dos taumaturgos, dos oráculos e dos feiticeiros.
Os ocultistas de todos os séculos não descobriram nenhuma verdade ignorada, ao passo que os métodos científicos fizeram surgir do nada um mundo de maravilhas. Abandonemos às imaginações mórbidas essa legião de larvas, de espíritos de fantasmas e de filhos da noite – e que no futuro, uma luz suficiente os dissipe para sempre.”

Gustave Le Bon

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