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30 de abril de 2012

MITOLOGIAS - Joseph Campbell


MITOLOGIAS – Joseph Campbell

Joseph Campbell, eminente antropólogo e lingüista estadunidense, especialista em religião e mitologia comparada. Fundamental a toda a pessoa adulta, de uma forma ou de outra interessada no fenômeno religioso.

Todas as religiões se utilizam de metáforas que, desgraçadamente, são entendidas e ensinadas como se fossem fatos concretos ou históricos. Isto faz com que o fiel, ao chegar a idade adulta, renegue a fé de seus ancestrais por estar em flagrante e gritante contradição com o senso comum.. Nas palavras de Joseph Campbell: (...)

Metade da população mundial acha que as metáforas das suas tradições religiosas são fatos. A outra metade afirma que não são fatos de forma alguma. O resultado é que temos indivíduos que se consideram fiéis porque aceitam as metáforas como fatos, e outros que se julgam ateus porque acham que as metáforas e mitologias religiosas são mentiras.

O que unia celtas, egípcios, gregos, indianos, todos nós, enfim, é que os deuses mitológicos só podem existir por uma boa razão: uma vez, em algum lugar, um homem os imaginou.

Neste caso, as coisas não são tão preto-no-branco, cientificamente superadas ou, como as define Campbell, claramente infantis.

Dentre curiosas METÁFORAS RELIGIOSAS, ressalta, na  “fé”:

Enoch subiu ao céu em seu corpo fisico;
A Terra foi inundada e todos os que sobreviveram estavam numa arca construída em madeira por Noé;
Moisés abriu o Mar Vermelho e as pessoas caminharam a seco em seu solo;  
O sol parou no céu;  
Tropas que derrubaram as muralhas fortificadas de uma cidade tocando “instrumentos de sopro”
Maria subiu ao céu em seu corpo físico;
Um homem morto e sepultado há três dias e ressuscitado e seu corpo, em avançado estado de decomposição, se refaz.
Gente a caminhar sobre as águas.
Santos a pregar para peixes que prestam atenção.
Dinheiro pescado da boca de um peixe.  

Estas são poderosas mensagens ao inconsciente que trazem muita informação, são lidas sobre as pessoas que as deixaram para nós e continuam um núcleo vivo absolutamente sensacional e rico, que Campbell ilumina com seus trabalhos sobre mitologias e crenças.

A IDEIA DE SUBIR AO CÉU  nós remete a alguma revogação temporária da Lei da Gravidade permitindo a alguém que, sem dispor de propulsão ou traje pressurizado, viajaria pelas estrelas. ACREDITAR NISSO É INFANTIL: insulta nossa inteligência,  é ainda mais irracional. Pensemos na espiritualização de uma pessoa, alguém que se devota mais a outrem e a contemplação da criação que a seu próprio corpo. Isto é algo efetivamente muito sublime! Subir aos céus é  um milagre. Não o fato fisico ou, menos ainda, algum tipo de mágica.

Campbell visita também o budismo e analisa o relato segundo o qual a princesa Mara foi fecundada por um elefante que introduziu a tromba em sua axila e lhe tocou o coração. Tudo a ver com o hinduísmo, mas fisicamente, nenhuma mulher engravida assim... A seguir, Sidartha Gautama, gerado no coração, saiu pela axila de sua mãe já andando e falando. Ninguém nasce fisicamente assim, claro está.
O que fazer? Jogar a história fora? Mas qual a mensagem destas metáforas?
Alguém que tenha um nascimento tão sublime e entre os gregos era muito comum na mitologia o parto da virgem, por exemplo, virgens que dão a luz crianças depois de haverem tido algum tipo de contato (seja com o logos, o como Lucas, que era grego, apresenta para a tradição cristã e seja remotamente físico mesmo) com alguma das divindades daquele rico panteão  estava naturalmente destinado a um futuro também mais sublime. Este tipo de nascimento fantástico, comum a praticamente todas as culturas de formas as mais diversas, são tipicamente uma mensagem que uma geração  de seres humanos deixa para a outra acerca de uma pessoa que teve um destino excepcional, ligado a uma forma privilegiada de ligação com a transcendência.

O FEMININO SAGRADO

Em que outra cultura se ouviu falar de uma mulher que nasce de um homem como Eva?

Pergunta jocosamente Campbell, para sublinhar como foi o massacre da antiga concepção do feminino sagrado em culturas agrárias por culturas patriarcais e belicosas de pastores de gado bovino ou caprino. No caso grego, pastores de gado bovino são liderados por deuses masculinos que se casam com as deusas. No caso hebreu há um massacre completo da concepção de feminino sagrado, que  substituído pelo deus da guerra daqueles pastores de ovelhas. A Deusa da Babilônia  chamada de abominação pelos pastores que dominam aquela antiga cultura agrária... Na modernidade, após quase um século de desagregação da família pelo capital, quando o operário passa a ser exageradamente explorado, a ponto de sua esposa e seus filhos precisarem abandonar os lares para dedicar-se a atividades outrora exclusivamente masculinas o Feminino Sagrado atinge nova dimensão e era vital incorporar esta nova realidade a Teologia do Século XXI.

ETERNIDADE e TRANSCENDÊNCIA

Em todas as Tradições há uma referência a algo, alguém. Há, de fato, algo que transcende nossa percepção e  permanente. Algo que está além da percepção de nossos cinco sentidos, suporta este mundo e determina nossas vidas. Transcender é ir além. Campbell nos esclarece acerca destes conceitos em si. Há certa tendência a confundir e para sempre com o eterno. O para sempre começa a partir de uma data especial e se prolonga para o futuro. Eternidade se estende do passado ao futuro e o presente é a ponte desta passagem. Eternidade, portanto, é aqui e agora. Este é o momento do milagre. Aproveite-o bem! Poderosa, a mensagem do mito que boa parte das tradições sepulta em variadas formas de domesticação, conformismo e má compreensão.

Fantasmagorias são absolutamente dispensáveis a mente religiosa que se despiu de preconceitos e concepções ingênuas da Criação. O que desejamos que permaneça após nossa curta passagem por este vale de lágrimas? Nossas obras, nossa herança genética, aquilo que fazemos e com que marcamos nosso tempo. Tão confortador quanto inútil, este sentimento de vida eterna, remetente a uma consciência individual que persistiria após esta vida.

Campbell demonstra ainda notável desconforto diante da evolução da igreja em nossa cultura. Nos primórdios, a celebração era em latim; o celebrante, de frente para o Misterium Tremendum levava as pessoas a refletir sobre Ele, conduzindo todos a sair da esfera doméstica e ingressar em outra dimensão. Com o passar dos anos a celebração passou a ser no vernáculo  com o agravante de ter uma porção de associações domésticas:  o idioma que usamos na política, em cobranças financeiras e piadas cotidianas. Por exemplo, coisa que muitos celebrantes fazem em seus serviços atualmente  é o celebrante ficar de costas para o Misterium Tremendum, de frente para a platéia (rebanho), frequentemente comportando-se não mais do que como um animador de auditório a falar sobre aplicações possíveis de textos sagrados na vida cotidiana, o que apequenou nossa percepção religiosa de maneira notável.

Todas as religiões nasceram a partir do que havia de mais avançado na Ciência, na Fé e na Filosofia de seu tempo, ultrapassa-a e a recoloca num patamar mais elevado. O mundo está ansioso por uma nova “religião” humanista. Enquanto a fé no sobrenatural estiver em contradição com a ciência e esta for antagonista da Filosofia, estaremos ainda “expulsos do paraíso” para utilizar a metáfora cristã. Estaremos, entre outras conquistas da civilização moderna, diante de adultos jovens que, sem uma concepção clara, vivem na ilusão, sem balizamentos,  indignos de respeito, jogando-nos nesta barbárie que vemos retratada nas páginas dos jornais e canais religiosos.

Segue um exemplo brasileiro, no link abaixo na Web:

http://deusilusao.wordpress.com/2011/07/23/a-freira-de-juazeiro/

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